Vale-chuva: promoção

Veja que ideia interessante que chegou às minhas mãos quando estive na Gelateria Alessa, de Belo Horizonte. Depois de pagar a conta, ganhei um “vale-chuva” – um cupom pra trocar por um sorvete grátis, se usado em um dia que estivesse chovendo. Genial! Além de saberem fazer bons sorvetes, eles também são bons de marketing: conhecem bem o comportamento dos consumidores. Quem é que vai sair de casa num dia feio e frio, pra tomar sorvete? Dá até preguiça… Mas será que por um sorvete de graça você não pensaria duas vezes?

Sorvetes e crafts são produtos bem diferentes, mas esta ideia está tão bem feitinha e redondinha que podemos aprender com ela e pensar em como adaptá-la ao seu negócio. Veja estes cinco pontos:

Destrinchando o cupom:

1. O básico: Reparou que ele tem um propósito muito específico? Ele só tem utilidade em dias de baixo movimento. A loja tem um custo fixo (funcionários, aluguel, luz, etc.) que entrando gente ou não vai continuar existindo. O que eles precisam é de um movimento constante. Dar um brinde genérico, que valesse em qualquer dia, seria um desperdício. Se naturalmente as pessoas já estão propensas a gastar, não vamos superestimular! O brinde é bom porque traz pessoas à loja nos dias que eles mais precisam. E normalmente as pessoas chegam acompanhadas, o que deve aumentar o valor do ticket médio – um café pro marido, um docinho pra sobrinha, uma sobremesa pra sogra… E gente chama gente. Ninguém gosta de entrar em restaurante vazio, dá sempre um medinho.

2. Regras? Sim, e muito bem claras. Não é a festa do caqui. Pra ganhar, você tem que gastar também. É uma win-win situation. Você faz a sua parte, a sorveteria faz a dela e os dois saem ganhando, certo? E a regra também vale para *produtos específicos* (olha lá na foto a listinha). A promoção não deve dar prejuízo para a loja. Faça as contas e veja o que pode entrar e o que deve ficar de fora.

3. É pra clientes! O cupom *não* foi distribuído aleatóriamente na rua para quem nem conhecia a loja ou quem nem gosta de sorvete. Ele foi entregue só pra quem já era cliente, quase como uma surpresa, um agrado. Quem conhece a qualidade e gostou do produto tem mais chance de voltar.

4. Dê com o devido cuidado: Foi entregue *depois* da compra. Quando eu estava prestes a sair da loja, o caixa me chamou e disse “Olha, volte sempre”, sorriu e me deu o cupom. Não era uma pilha largada no balcão, que qualquer um pegava. O jeito de dar valorizou o brinde – e olha que é só um papel!

5. Prazo de validade: a promo termina dia 30 de abril. A última coisa que você quer é que apareça um cliente doze anos depois com um papel amarelado pedindo “moço, cadê meu cornetto?” Promoção tem nascer por um propósito específico. E isso implica em dia certo pra começar e terminar. Assim você ainda pode medir se ela funcionou ou não.

Independente de colocar a promoção em prática, um exercício legal para se fazer é tentar encontrar os paralelos entre essa situação e o seu negócio. Existe alguma sazonalidade nas suas vendas? Algo que atrapalha as pessoas de comprarem? Quais são seus custos fixos?

Essas são pra você pensar com os seus botões :-)

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