28 abr 10
blogueira convidadaoutros bla bla blas
Pequeno Manual das Neuroses Manuais
por Andrea
mulheres
Nem tudo são flores (de feltro) no mundo craft. Existe muita, muita tensão e chegou a hora de abrir a caixa preta (estilo vintage de MDF betumado). Vou mostrar o lado escuro do mundo da fofura, enumerando as 4 fases pelas quais passamos ao perceber que temos alguma habilidade manual. Momentos da mais pura psicologia de botequim. Ou melhor. De atelier.
(1) Fase da Onipotência: Nesta fase acreditamos que com uma boa tesoura e um rolo de 10m de fita de bolinhas dominaremos o mundo. Comprar presentes? Roupas? Bolsas? Pra quê? “Faço isso com um pé nas costas!” “Plataforma de Petróleo? Me dê uns pedaços de MDF, um pouco de cola e…” . Alerta vermelho: McGuiver já era, o dono do shopping tem uma família para sustentar e o capitalismo precisa de você! Seja razoável!

(2) Fase da Customização Obsessiva Compulsiva: Danou-se! Nada mais escapa do seu “toque pessoal”. Sapatos, móveis, latas de leite em pó… É só bater o olho num objeto meio sem graça e pronto: “ficaria legal com outra cor”, “ficaria bem melhor recoberto de tecido” “e se eu virar de cabeça para baixo, colar num cabide e…”. Fase crítica! Você só perceberá que precisa de ajuda quando já estiver na segunda demão de pátina provençal na careca do marido. Seja forte! E não faça capinha pro botijão de gás! (Jamais!)

(3) Fase do Apego: Você comprou os mais lindos papéis para scrapbook do universo e de tão apaixonada toma um tarja preta cada vez que pensa em usá-lo em um projeto. Nada nem ninguém é digno e merecedor do seu material favorito. “E se não encontrar mais para comprar?”, “E se pararem de fabricar?”, “ E se a indústria papeleira for extinta?”. Você tem pesadelos com ataques de gafanhotos comedores de papel e acorda suada. Gente: um dia eles vão crescer e nos deixar sozinhas. Papel de scrapbook a gente cria para o mundo.

(4) O ataque do Caboclo Tranca Atelier: A agulha quebrou. A linha embolou. A tinta empelotou. O caseado está troncho. A cola manchou. Você corta torto. Cola torto. Costura torto. Era para ser um cubo, mas virou uma pirâmide. May Day! May Day! É hora de desistir! Nem sempre perseverar vale a pena. Antes que atentar contra a própria vida com uma pistola de cola quente calibre 22, largue tudo como está! Vá pra rua, bata perna, dance hiphop, beba tequila. À noitinha, acenda uma vela (artesanal forradinha com frutas secas) pra Nossa Senhora da Tesourinha de Garça e outra (tipo gel com estrelinhas azuis) pro São Pompom e vá dormir o sono dos crafters. Amanhã será outro dia. (Tarja preta de novo, não!)

Agora que foram devidamente alertadas sobre as terríveis sequelas psicológicas do mundinho cute, pensem bem antes de continuar lendo este blog cheio de idéias, tutoriais e fofices. Eu tentaria outro hobby. Que tal… Sudoku?

28 abr 10
blogueira convidada
Blogueira convidada: Elisa, do Ela fala e sai andando
por Andrea
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Depois de um grande hiato, a coluna da blogueira convidada destá de volta! Ebaaaaa!
Desta vez resolvemos inovar na escolha. Ao invés de convidada que ensine PAP e tutorial (podem deixar os panos e as linhas descansando por enquanto) chamamos uma persona ‘opinativa’ e sem papas na língua, pra abalar as estruturas de MDF do craft. Sim, trata-se da moça bonita da foto aí em cima, a Elisa L. do Ela fala e sai andando (Elisa, te transformamos em Hulk e Ompalompa, mas ó, foi obra da Cláudia…).
Não chamamos a Elisa só porque somos fãs dela desde criancinha. Racionalizamos a escolha. Então aí vão os top 10 motivos pelos quais achamos ela bafo:
1. É a mais blogueira famosa de Niterói (pensando bem, é a única pessoa que eu conheço em Niterói).
2. Esconde calcinhas em caixas do craft room (oi ? confessou num post).
3. Tem péssimo gosto musical retrô ( ouve Fabio Junior, Lara Fabian, Gonzaguinha e Beto Barbosa).
4. Incorpora o DIY à própria pessoa (transformou a franja numa bundinha de hamster).
5. Tem polêmica no DNA.
6. Tem preconceito com E.V.A e garrafa P.E.T (falei que tem polêmica no DNA).
7. É a favor da tiara de lacinho após os 30 (não achei o post, sonhei ?).
8. Criou um novo paradigma pra darreceita de brigadeiro ( mas diz que faz regime. oi?).
9. Ela tuíta e depois sai andando.
10. Além disso tudo……. ela *ainda* faz crafts.
A Elisa vai aparecer por aqui semanalmente pra tocar o terror no mundo craft. Posts sem edição, manja? Viver perigosamente, aceito. *me abraça*
O primeiro post dela entra hoje a noite (((muita expectativa & ansiedade agravada pela TPM)))).
Bem-vinda, Elisa !
25 abr 10
tricô e crochê
DIY: Como tingir lã com suco em pó
por Andrea

Tingindo com suco

Preparadas para saber o que aconteceu na semana passada ? Eu tingi lã em casa pela primeira vez ! Sempre tive curiosidade de testar a famosa técnica do suquinho em pó. Pausa para o “coooomo assim, tingir lã com suco ?”. Hehe, é isso mesmo, acreditem ! Bom, eu ficava mesmo só na vontade, afinal, onde é que eu iria achar lã 100% e sem tingimento pra colocar em prática minhas experiências ? O destino bateu na minha porta quando eu recebi estas amostras de lã pura da minha xará Andrea, da La Roca ! Merino, gente! E fiado artesanalmente ! Apesar da cor natural ser bem digna eu não pensei duas vezes: queria testar a técnica do suco. Na verdade eu aproveitei a oportunidade pra testar no memo dia tanto o método do suco como o tradicional, usando aqueles corantes de tecido em tubo. E depois, dar o meu veredito!
Lembre-se que, pra dar certo, o fio a ser tingido deve ser 100% lã, ok ? Se for sintético ou misto, não dá. Aqui vai o PAP do tingimento :
meada na cadeiraDSC07457
1.A primeira coisa a ser feita é enrolar a lã numa meada bem soltinha. Recomendo usar os encostos de duas cadeiras como base. Se for tingir muita lã sugiro fazer várias meadas não muito grossas, a minha meada tem 100 gramas.
2. Enrole toda a lã e finalize juntando começo com o final com um nó. Corte quatro pedacinhos da lã e amarre em volta de cada lado da meada, deixando bem frouxo, conforme mostra a foto em ângulo aéreo (hahah).
Tingindo com sucoTingindo com suco
1. Eu queria uma lã vermelha-rosada (ou algo parecido) então usei 4 pacotes de suco Clight de morango bem dissovido em pouco menos de 1 litro de água. Acho que qualquer marca serve, contanto que seja suco artificial. Li em algum lugar que é melhor usar a versão light/com adoçante (faz algum sentido ?). Reserve o suco.
UPDATE: Uma leitora anônima deixou com comentário avisando que esta etapa de encharcar com água é importante sim, e que é legal colocar sal na água, pois facilita a absorção da cor pela fibra :)
2. Deixe a meada de molho num pirex com na água por uns 20 minutos, para encharcar. Na boa ? Não sei não se esta etapa é imprescindível no resultado final. Em todo caso, tava lá recomendado no livro que eu usei como referência, então achei melhor seguir.
Tingindo com sucoTingindo com suco
3. Jogue a água fora e dê uma apertada de leve para tirar o excesso. Coloque a meada de volta no pirex.

4. Derrame todo o suco por cima da lã, cobrindo-a uniformemente. Use luvas para manusear a lã. Coberta com suco de morango ela fica esta coisa ‘bunita’, um look ensanguentado ! E preparem-se porque o cheiro de suco artificial é meio forte.

Tingindo com sucoTingindo com suco

5. Cubra com filme plástico e deixe um buraco nas laterias para sair o calor (ou fure o plástico com um garfo).

6. Coloque a carne moída, ops, a lã no microondas em potência alta por 3 minutos. É bom dar uma olhada a cada minuto pra não passar do ponto. Pra saber se está bom veja se a lã absorveu quase toda a cor do suco. O pouco de suco que sobrar terá uma cor mais clara, de água suja.

Tingindo com sucoTingindo com suco

7. Deixe esfriar e quando estiver morno jogue fora o que sobrar de suco. Neste ponto vai clarear um pouco, ok ? Pode espremer de leve para tirar o excesso de suco. Enxague com água morna até parar de soltar cor. Não jogue água corrente em cima da meada, encha uma bacia com água morna limpa e jogue a lã dentro dela.
8. Esprema a lã (sem torcer) para tirar o excesso de água e deixe secar na sombra em cima de uma toalha. Tá quente aqui em São Paulo então a minha demorou 24 horas pra secar. Eu não acho uma boa ideia pendurar a lã no varal pra secar, ok ? Eu só fiz isso para ‘efeito de foto’ :P.
A lã coral foi tingida com suco Clight de morango e a lã roxa foi tingida com corante Tingecor para tecidos na cor azul marinho.

Tingindo com suco

9. TINGIMENTO COM CORANTE DE TECIDO: Também testei e deu certo! Não fiz PAP porque simplesmente e segui as instruções da embalagem. Na hora do enxague diluí uma colher de vinagre branco para cada 2 litros de água. Li que no tingimento com suco o vinagre não é necessário pois o suco já é ácido o suficiente para fixar a cor.
A master tricoteira Solange resgatou um post antigo mostrando como tingiu lã ‘vintage’ da Santista usando corante pra tecidos. Reparem que ela ousou tingir a mesma meada com três cores e o resultado ficou ótimo!
O que eu aprendi na prática:
* O primeiro mantra do tingimento é * não variar a temperatura da água, senão vai feltrar*. Esquentar aos poucos no microondas e fever na panela pode. Dar aquele choque do quente pro frio ou vice versa , não.
*O segundo mantra é *não esfregar e não atritar, senão vai feltrar*. Manuseie a lã o mínimo possível e com delicadeza. Vou confessar que a minha lã coral feltrou levemente porque eu fiquei mexendo nela demais. Quase um #fail :/.
* Luvas descartáveis (de borracha ou plástico) são suas amigas na hora da tintura ! Minha mão ficou vermelha por dois dias.
* Não dá pra criar grandes expectativas com relação a saturação da cor. Eu quis testar os dois métodos porque achava que o corante de tubo me daria uma cor mais forte, mas nem. O marinho virou um roxinho e o vermelho acabou num rosado um coral. Achei bonito, mas se a sua praia é lã de cor forte como a industrial este método não é pra você.
* Se você quiser tingir lã de azul o jeito é usar o corante de tecido. Até onde sei não existe suco artificial desta cor no Brasil.
* A lã tingida com suco, mesmo depois de bem exaguada e seca, ficou com um leve cheirinho de morango. O corante de tubinho não deixou cheiro nenhum.
* Dá pra tingir meadas com sucos de várias tonalidades, veja este video no Youtube (em inglês).
* Pra tingir bem a lã tem que ser 100% pura, sem mistura. A Mônica Sacai tingiu a lã Paratapet nacional com suco de morango, vejam como ficou no Eu Tricoto.
Pessoalmente achei mais legal tingir lã com suquinho. É mais rápido, faz menos sujeira na cozinha (se você usar luvas, claro) e é menos óbvio ! Nas vou confessar que depois desta experiência fiquei com um pé atrás em tomar estes suquinhos artificias. É muito corante, socorro !!
Brincadeiras a parte eu até já usei a minha lã tingida. Tricotei luvas sem dedos. Luvas sabor morango. Logo mais mostro como ficaram e coloco a receita pra vocês, ok ?
22 abr 10
tricô e crochê
Hummmmm… merino
por Andrea

merino

Eu antecipei no Twitter que eu tinha recebido amostras de lã de merino made in Brasil e muita gente pirou querendo saber como/onde/quanto custa. Tirei fotos no melhor estilo yarn porn pra acabar com o suspense do merino misterioso. Bem digno, né ? Sim, sim tem aquele cheiro de lã pura e uma textura delícia, que ‘escorre’ entre os dedos. Cá entre nós, depois de um tempo ralando a mão no novelo sintético acho que toda tricoteira merece o luxo de usar fios naturais.Eu mesma de uns anos pra cá comecei a ter acesso a fios naturais pela internet, agora fico achando fios acrílicos meio funhé.

Quem mandou foi uma leitora do blog que é criadora da raça merino australiano lá no sul do país. Recebi um sedex grandão com um bocado da fibra natural já limpa (pra feltrar ou fiar) e dois novelos prontos, um mais fininho e outro de espessura média. Close em um dos bebês, feito em roca de fiar manual:

merino

É MUITO macio. Eu já tingi (assunto pra um próximo post) e vou tricotar algo com ele. Ideias ? Aceito. Mas tem que ser algo pequeno pois só tenho um novelo de cada, mkay ?

Agora vocês já devem estar doidinhas pra saber mais sobre o fornecedor, né ? O nome dela á Andrea Irion e a marca é La Roca Fios Artesanais, de Rosário do Sul-RS. Eu desconfio que ela venda a lã para pessoa física mas não tenho certeza. O problema é que ela mandou o sedex com as lãs e depois….. sumiu. Faz uma semana que eu estou tentando contactá-la por email e até agora, nadica. Se alguém a conhece por favor avise que eu estou tentando falar com ela.

Tricoteiras, uni-vos para encontrar a Andrea do merino !

Prometo que assim que ela aparecer e eu souber de mais detalhes, aviso por aqui.

UPDATE 25/04: Oba! A Andrea Irion apareceu. Ela conta que, juntamente com o marido, cria 2.000 ovelhas das quais 400 carneiros merino australiano. ” O processo é o seguinte: retiramos a lã das ovelhas, selecioamos e mandamos para o lanifício onde é lavada, penteada e fiada. A lã merino é difícil de encontrar no Brasil porque os lanifícios exportam toda a produção para Europa e Estados Unidos. Os fios são feitos na roca de pedal, um trabalho 100% manual feito por um grupo de fiadeiras de Rosário do Sul e Porto Alegre. “

O quilo dos fios custa R$ 90,00 e os novelos de 100g saem em média R$ 9,00 /cada.
O quilo da mecha de fibra para fiar (antes de virar fio) sai R$ 50,00.

Se alguém tiver interesse no merino da Andrea o email para contato é andreairion@hotmail.com

Eu fiquei curiosa e pedi fotos dos carneiros e a Andrea ficou de mandar, eba ! Quero ver a carinha das fontes das minhas luvas (eu fiz luvas com o merino que tingi, ficaram liiiindas, logo mais eu mostro aqui no blog).

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Também no Superziper:
Não sabia que merino é um tipo de carneiro ? Dá uma espiada no post sobre os tipos de lãs e aprimore a sua nerdice tricoteira.

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