13 nov 10
craft tour
Direto do Japão: Agulhas artesanais da Misuyabari
por Andrea

quioto

Mais um post sobre minhas andanças pelo Japão. Nesta viagem, além de ir para Tóquio fui explorar  outras partes do país, entre elas a cidade de Quioto, que é conhecida como antiga capital. Adorei! Lá, o contraste do antigo com o moderno é impressionante, apesar de ser uma metrópole, a cidade toda é cheia de pontes, vielas, templos  e casas centenárias. A cada esquina, uma descoberta visual. Também é marcante a presença de artesãos que produzem em seus ateliês –  cerâmicas, bolsas – e super dá pra dar uma espiada através das janelas e portas, que ficam sempre abertos para sorte de quem passa :) .

E eu tinha “um” lugar específico para visitar: a Misuyabari, uma loja que está no negócio de  agulhas artesanais há mais de 300 anos.  Vejam só, uma loja especializada em agulhas ! Coisas de Japão, ou melhor, de Quioto.

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Tentar chegar lá foi uma aventura pois eu não tinha o endereço certo, apenas algumas coordenadas.  Peguei o metrô e até a estação de metrô Sanjo.  Desci  na saída que dava na Teramachi Dori e caminhei até encontrar a Kawaramachi Dori ( Dori significa rua, em Japonês ). A rua termina numa galeria comercial, cheia de lojinhas populares. Entrei e caminhei pelas lojas até avistar a placa com o nome da Misuyabari, indicando que eu deveria passar  por um corredor estreito. Ufa, eu consegui e estava perto ! Emoção !

Misuyabari

Ao final do corredor parecia que passei por um túnel que me levou a um universo paralelo. A loja fica numa casinha minúscula em estilo japonês, rodeada por um jardim  muito bem cuidado, com direito a fonte e tudo.

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Fui recepcionada pelo filho do dono, que  foi muito simpático e permitiu fotos a vontade. Pelo que entendi foi a primeira vez que ele recebeu clientes do Brasil na loja :) .

Mas por que as agulhas da Misuyabari são especiais?  São feitas individualmente com o tamanho e flexibilidade ideais para facilitar o processo de costura manual. O ‘olho’ da agulha é moldado a mão e ao invés de ser oval é redondo, para facilitar a passagem da linha. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença para quem costura. Elas vêm em pacotes de vinte unidades e a proposta é que durem a vida toda.

A caixa de alfinetes, juntamente com as agulhas, são os best sellers da loja. Nada lá  é barato, mas pela qualidade, considero o preço justo.  Se eu disser  na rua que paguei R$ 15,00 por uma caixa de alfinetes  vão me chamar de louca, mas com certeza vocês que lêem o Superziper  me entendem.

Misuyabari

Estes alfinetes decorados também estão a venda, eu queria comprar  um de cada só pra deixá-los em display – são tão delicados e decorativos que eu ficaria com muita dó de usá-los. Na loja já deixam uma lupa ao lado da caixa para que os clientes olhem os detalhes das cabecinhas –  nenhuma é idêntica à outra pois são esculpidas artesanalmente, como tudo que está à venda por lá.

Misuyabari

Esta mini caixa de costura é feita e feita com uma madeira especial  e  possui  vedação que impede que as agulhas enferrujem  – o Japão sofre com a forte  umidade do ar  no Verão. Me arrependi depois de não ter comprado pelo menos uma.

Misuyabari

Eles também têm vários porta alfinetes muito lindos  feitos de lã feltrada e de tecido chirimen, uma tradição  dos crafts de Quioto.

A loja é bem pequena e enquanto eu estava lá,  mais clientes chegaram.  No final, éramos umas cinco pessoas e  mal conseguíamos andar lá dentro. Paguei por minhas agulhas e  saí com a sensação de ter conhecido um lugar muito, mas muito especial. Saber que no mundo de hoje ainda existe uma loja como a  Misuyabari me  deixou feliz. É uma prova de que  qualidade e na tradição artesanal ainda têm seu lugar mesmo numa época onde tudo é feito em massa e com pouca qualidade. Já virou uma das minha lojas favoritas em todo o mundo, onde espero poder voltar muitas vezes.

Se passarem por Quioto, super vale a visita. O site da loja, em japonês, está aqui –  mas eles não vendem para fora do Japão.

11 nov 10
craft tournhac
Uma visita a padaria PAO
por Claudia

Padaria PAO

Quando a Andrea voltou das férias no Japão, marcamos de nos encontrar para um almoço na padaria PAO, nos Jardins, em SP. Alguém conhece? Fui lá algumas vezes e continuo voltando seja por um desejo de repetir as coisas boas ou para experimentar a tamanha variedade de pães, doces, bolos e delícias que eles fazem por lá. Já adianto que uma visita não é suficiente. Em frente ao pequeno balcão a gente se sente como criança em loja de doces. É um velho chavão, desculpe, mas foi a única imagem que me veio à cabeça – a sensação é essa mesma.

Porquê falar de uma padaria no Superziper? Bem, esta nem é a primeira vez. Para quem não lembra, já mostramos a Bonomi de BH e a Hummingbird Bakery de Londres. E com certeza não será a última. A Andrea comentou que no Japão – depois da onda dos cupcakes – a nova febre são as padarias que misturam a técnica francesa de preparo com os ingredientes locais. Então preparem-se porque no report Japão imagino que deve aparecer algum texto com fotos desses lugares, vamos ver…

Mas voltando, pão é craft? Bem, no caso dessa padaria especificamente, eles tem artesanato até no nome. Além do imediato e óbvio significado, PAO também é um acrônimo para Padaria Artesanal Orgânica ^___^ Eles fazem questão de mudar o cardápio de acordo com as estações, dando preferência a produtos provenientes da agricultura local, orgânica e sustentável.

Balcão dos chás A cozinha é aberta

A produção é feita em pequena escala. Pela primeira foto dá para ver que basicamente no salão há três mesas apenas (ou nove lugares) e um balcão. Atrás dele, nenhum medo de exibir a cozinha aberta e o pessoal trabalhando nas próximas fornadas. Quem vai lá não pode ter pressa. O ritmo é próprio e você tem de se adaptar. Ou seja, aproveite o tempo para admirar o que está pronto para consumir ou faça seu pedido e aprecie o lugar enquanto a delícia não vem.

É tudo tão gostoso, bem feito e delicado que a gente fez questão de fotografar as nossas escolhas. Fica como dica para quem der um pulo lá.

Sanduíches

Na parte dos quentes, a tartine de tomate assado, manjericão e azeite extra virgem (R$ 15). Melhor combinação impossível – todos meus ingredientes favoritos em um mesmo prato! O destaque fica para a qualidade do tomate; sempre vermelho e muito docinho. O outro prato é o queijo quente especial com mozzarela e requeijão (R$15). Boa pedida para quem gosta de queijos e de comfort food – quentinho e macio! Provei os dois, mas para ser sincera continuo preferindo o primeiro!

O melhor bolo de chocolate!

As sobremesas começam a complicar. Se você ficar perdido entre tanta opção apetitosa, recomendo o doce mais famoso da casa: o bolo de chocolate 70% com lâminas de caramelo (R$12). Já elegi como um dos melhores bolos de chocolate que já provei. Sabor forte de cacau, amargo na medida, massa na consistência certa, várias camadas (quatro? cinco?) intercaladas com um ganache cremoso. O sabor de caramelo substitui o doce exagerado do açúcar. E lá lá lá no fundinho há um toque de sal. PS: a florzinha NÃO é comestível, só charme mesmo. A fatia é alta e fina, do tamanho certo para não enjoar. Mesmo assim, sou daquelas que prefere dividir com mais alguém.

O melhor bolo de cenoura!

Para quem prefere um bolinho tradicional para acompanhar o café, posso dar minha opinião sobre o bolo de cenoura. Por sorte, era a última fatia. Ou seja, tive direito a toda a calda de chocolate que estava esparramada na travessa. E eles ainda esquentaram no forno (não tem microondas) para ficar derretido e quentinho. Acho que as fotos mostram tudo, não?

Padaria PAO, R. Bela Cintra, SP

A PAO fica na Rua Bela Cintra, 1618 (Jardins, São Paulo, SP), logo depois da Alameda Franca. No site deles tem o cardápio e no Twitter eles enlouquecem a gente com tweets do tipo “Pães da PÃO hoje: de Nozes e de Raspa de Limão Siciliano com Ervas da Feira” ou “Novo Cookie de Chocolate delicioso com seu aroma do cacau perfumando o ambiente“. Ai ai ai :)

Só há um porém… Os horários de funcionamento. De segunda à sábado, das 9 às 19h e domingos das 9 às 14h. Sei que eles precisam descansar, mas para uma cidade com tanto trânsito como SP quase nunca consigo chegar lá a tempo, uma pena. Mas ouvi dizer que em breve eles devem abrir novas unidades na cidade. Vamos ver quando a nova PAO vai sair do forno!

09 nov 10
craft touroutros bla bla blas
Direto do Japão: AliceKitty
por Andrea

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Andando por uma loja de departamentos em Tóquio achei uma seção da Sanrio. Comecei a procurar presentes para minha sobrinha quando descubro num canto, a linha AliceKitty. Trata-se da versão ‘hellokittyana’ de Alice no Pais das Maravilhas. Achei tudo muito fofo, no total eram uns 20 itens. Saquei a câmera discretamente e tirei algumas fotos, afinal eu tinha que mostrar um pouco da coleção por aqui.

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Linha exclusiva é algo que rola muito no Japão. Como há abundância de produtos de todo tipo no mercado e todo mundo já tem tudo, vira e mexe as marcas lançam coleções limitadas, com design diferente ou estampadas com algum personagem. Aí todo mundo corre pra comprar antes que acabe.

Aqui está a plaquinha com mais informação sobre a coleção da AliceKitty. Como vocês podem ver, nem chegará nas Sanrio  daqui, são produtos voltados apenas para  o mercado japonês.

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Isso é uma necessárie/estojo. Achei a coleção da AliceKitty bem linda, cheia de detalhes, com pouco cor-de-rosa (!) e sem glitter  (!!). Dá para as fãs  adultas da gatinha usarem numa boa. A coleção toda leva este fundo preto e branco de maxi poás, achei chique.

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Este objeto da esquerda é um espelho de bolsa. No Japão se vê muito espelho grande de bolsa para vender, acho que é um padrão.  Ótimo pra ver o rosto  inteiro de uma vez, com ele fica bem mais fácil de retocar o make na rua.

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Esta bolsa tipo tote tinha um lacinho pendurado. Por lá eles adoram usar penduricalhos. E dá-lhe lacinhos, pompoms e bonequinhos na alça da bolsas, no celular, nos chaveiros e até nas botas.

Pausa para o momento filosofando sobre a HK com minha sobrinha de cinco anos:

EU: – Desconfio que a Hello Kitty  é a My Melody.

Sobrinha: – Não, a Hello Kitty é gata e a My Melody é coelha.

EU: – Mas a HK não é a My Melody com chapéu de Coelho ? Elas podem ser a mesma, apenas trocam o chapéu.

Sobrinha: – Não pode, a HK não tem boca.

Ela venceu.

Tenho muitas outras coisas para mostrar sobre o Japão, e coisas específicas sobre crafts. Vou organizar minhas fotos e minha vida e vou subindo aos poucos pra vocês, ok ? Vi muita coisa bacana por lá (Japão né , gente) mas é sempre bom estar de volta :)

06 nov 10
outros bla bla blas
Quer brincar de jogo dos 7 erros?
por Claudia

Mudanças entre as 4 provas

Organizando as fotos do meu computador, encontrei essas daqui que são bem legais – tiramos no dia em que imprimimos o cartaz lambe-lambe mas acabamos não mostrando. São dos bastidores da produção do cartaz e estavam esquecidas em alguma pasta perdida. Ainda bem que achei. Além de ser uma curiosidade que mostra como foi o nosso processo de chegar ao desenho final, serve de brincadeira. Porque montadas desse jeito, dá para vocês fazer de jogo dos 7 erros :-) Cada uma das fotos marca uma prova que fizemos da montagem das letras até chegar na versão final do cartaz.

Dá para perceber o que mudou de um cartaz para o outro? Reparem que são provas mesmo – até o papel usado foi de “rascunho”. Ao invés de imprimir em papel branco, “do bom”, eles usaram o verso de outro lambe-lambe.

A dureza é que a cada troca de letra ou inserção de um elemento novo, o pessoal da gráfica tinha de remontar toda a chapa – não só as letras, mas também os espaçamentos. Na foto abaixo da direita dá para ver o negativo do cartaz. Haja paciência com a gente…

Montagem do lambe-lambe

Apesar de já termos falado bastante do assunto e até mostrado um vídeo de como foi o dia da impressão, mesmo assim achei que valia a pena dar uma resgatada.

Para mim, a grande lição que ficou foi de como a 1a versão de qualquer desenho, produto ou projeto nem sempre é a melhor. Sempre dá para refinar e ir aperfeiçoando. E a a cada etapa as mudanças ficam nítidas, vai melhorando, vai ficando mais legal e mais próximo do ideal. Mas chega uma hora em que a gente tem que colocar um limite. Precisa parar e seguir adiante. Se não chega um ponto que começa a ficar caro demais (seja pelo tempo gasto ou por uma questão de recurso mesmo) ou até corre o risco de o negócio nem sair. Perfeccionismo tem limite :-) Vocês concordam? Se estiverem com tempo, contem um pouco do processo criativo de vocês. É sempre bom e legal saber como os outros trabalham!

superziper.com