01 fev 15
costura
DIY: meu primeiro alforje de bicicleta
por Claudia

Alforje para bicicleta

No final do ano, finalmente saiu do papel uma cicloviagem que venho sonhando em fazer há muito tempo: pedalar do Chuí até Montevidéu, no Uruguai. Sendo uma viagem de bicicleta, o lugar para guardar roupas e bagagem era parte importante da história. Eu poderia ter comprado um alforje, mas apesar do pouco tempo de planejamento, decidi fazer o meu, do zero.

O primeiro passo foi pesquisar modelos e entender como ele se encaixa no bagageiro da bicicleta. Optei pelo modelo mais simples: um saco estanque de cada lado da bike. Pra quem não sabe, saco estanque é um tipo de bolsa feita para proteger roupas, materiais e objetos da água. Simplificando bastante, imagine um saquinho de papel de pãozinho de padaria, que fecha em cima enrolando – mas impermeável!

Olha ele aí… A sobra de tecido na parte superior faz parte do design – serve para dobrar a “boca” umas três vezes e depois prender com o fecho de mochila. Dessa forma, teria roupas secas no caso de chuva e um espaçinho extra no caso de alguma compra.

Alforje para bicicleta

A viagem durou 15 dias e ele aguentou muito bem! É praticamente um protótipo que deu super certo. Não reparem nas costuras tortas ou pontos falhados, que nem escondi nas fotos abaixo.

Eu pretendo fazer um alforje novo, mais bem acabado e com algumas modificações – afinal sempre existem melhorias para implementar na versão 1.0! (ver nota no final do post)

Mas como ele voltou intacto e pronto para uma próxima viagem, decidi compartilhar o passo a passo de como fazer um alforje caso alguém queira experimentar.

Vamos aos materiais:

Alforje para bicicleta

– 2 pedaços de lona impermeável* 75 x 85 cm
– 1 pedaço de lona impermeável* 25 x 50 cm
– 2 placas de EVA 30 x 30 cm e 1 cm de espessura
– 2 fitas de nylon para mochila de 25 cm
– 2 fitas de nylon para mochila de 65 cm
– 2 fechos de mochila na mesma largura da fita

* esse tecido amarelo é na verdade usado como revestimento para banco de moto. Comprei no Brás, em loja de tapeçaria automotiva, na Rangel Pestana, perto do viaduto. Levei um metro (com largura 1,40) e foi suficiente para um alforje e ainda sobraram um restinhos que vou usar para uma necessaire.

Antes de começar o tutorial, vale a pena entender como ele funciona. Esta visão lateral mostra os dois sacos estanque presos por um tecido no meio, que será apoiado no bagageiro. Mesmo cheio, ele fica rígido graças à placa de EVA – dá uma segurança extra de que não vai enroscar na roda traseira, apesar da barra de proteção lateral.

Alforje para bicicleta

Depois do corte do tecido, fitas e EVA nas medidas acima, são 7 etapas de costura e montagem:

Alforje para bicicleta

1. Faça o saco estanque usando o maior pedaço de lona. Com o tecido do lado avesso, faça uma costura inferior e uma no meio, juntando as duas laterais. Você ficará com duas peças de 42 cm de largura e 75 cm de altura

2. Para ganhar volume de profundidade, dobre as pontas inferiores, formando um triângulo e costure

3. Na boca do saco, centralize as fitas de nylon, uma de cada lado, prendendo com alfinetes. Passe duas costuras zigzag para fixar bem. Como a lona que usei não desfiava, não fiz dobra para acabamento

4. Também pelo avesso, costure o pedaço de tecido que será usado para unir os sacos, passando uma costura no meio.

5. Costure também as duas laterais para fechar, agora já no lado direito do tecido. Posicione a fita de nylon no meio. Antes de costurar, meça um espaço que caibam os 4 dedos da mão e marque com giz. Costure apenas as laterais, deixando o centro livre, pois será usado como alça para carregar o alforje

Alforje para bicicleta

6. Posicione em uma mesa (ou no chão) os dois sacos, com a boca de abertura virada um para o outro. Costure a faixa central, usando a fita de nylon para reforço. Veja as medidas na imagem abaixo para facilitar a compreensão

7. Finalize costurando os fechos de mochila na fita, também usando ponto de zigzag

Arforje de bicicleta

Depois de pronto, o teste da bagagem. Coloque suas coisas e veja se está tudo bem! Eu viajei leve, até porque carregar peso significaria mais cansaço ao longo de todos os quilômetros.

Pra quem tiver curiosidade, compartilho minha lista do que foi no alforje: 4 camisetas, 2 calças tipo ginástica, 2 shorts, 1 pijama, 2 biquínis, 4 calcinhas, 2 sutiãs, 4 meias, 1 casaco leve, 1 jaqueta para chuva, 1 tênis, 1 chinelo, kit higiene & banho, kit farmácia, 1 livro, 1 celular, 1 carregador, 1 câmara extra (obs: o kit de bicicleta com ferramentas, remendos, bomba, etc foram em outra bicicleta).

É pouco, fui sucinta, mas sempre que precisava era só lavar roupa e/ou ir na lavanderia. Deu pra me virar muito bem!

Alforje para bicicleta

Separei algumas fotinhos da viagem. Na costa atlântica, o Uruguai é um país bem tranquilo de viajar por ser bem plano. Mas exige um pouco de planejamento, principalmente pelo preparo físico, porque alguns trechos de estrada são bem desertos, no sentido de paradas e postos. Mas nada que uma parada antecipada nos mercadinhos não resolva. Muita água para encher o camelbak, claro. E também frutas, sanduíches leves e empanadas que é sempre bom ter na mochila para qualquer momento de fome e cansaço.

Alforje para bicicleta

Ah… e um destaque para a árvore encapada com lindos crochês que encontrei na entrada da praia de José Ignácio:

Alforje para bicicleta

Esta viagem já é conhecida por muitos brasileiros. Encontrei bastante ciclistas no caminho, nas paradas e na rodoviária (voltei de ônibus no trecho Montevidéu-SP). Para quem quiser “ver” mais, recomendo os relatos da Cuca de Prata, uma ciclista que viajou na mesma época com mais três amigas fazendo o mesmo percurso.

E se alguém quiser tirar dúvidas sobre o alforje (ou sobre a viagem), deixe um recado nos comentários que terei o maior prazer em ajudar ^___^

Alforje para bicicleta

NOTA: sobre as melhorias possíveis neste alfajor (oops, alforje):

1. Faria a base que conecta os dois sacos mais comprida e mais larga, cobrindo 30 x 30 cm atrás de cada saco estanque. Mas deixaria uma abertura na parte de cima para encaixar a placa de EVA – como uma carta em um envelope.
2. Ajustaria as medidas da fita de nylon para não ficar com tanta sobra
3. Colocaria mais faixas refletivas no alforje. Neste atual só tem um pedacinho pequeno que usei para remendar um furo na lona amarela

24 ZigZags
  1. Camila Shiraiva disse:
    02 de fevereiro de 2015 às 10:05

    Que LEGAL Claudia!!! Eu adorei esse post, tanto pela viagem como pelo PAP do alforje. Estou começando a me aventurar nas pedaladas e ainda quero fazer uma cicloviagem assim.

    Parabéns e muito obrigada pelo PAP. Pra começar a costurar já!
    Beijos!

    Responder
    • Claudia disse:
      02 de fevereiro de 2015 às 23:42

      Oi Camila, depois quero ver se você fez o seu! Sobre a cicloviagem, foi uma aventura mesmo :-D

      Responder
  2. Neomar disse:
    02 de fevereiro de 2015 às 16:43

    parabens pelo tutorial Claudia
    Estou querendo fazer esta viagem do chuí a Bueno Aires , tem os relatos da viagem de onde ficou rota e tudo mais que puder dar alguma dica , desde já agradeço é obrigado .
    https://www.facebook.com/PEDALSANTOS

    Responder
    • Claudia disse:
      02 de fevereiro de 2015 às 23:41

      Oi Neomar, em resumo a rota foi: Chuí > Punta del Diablo > Cabo Polônio > La Pedrera e La Paloma > Punta del Este e Maldonado > Floresta > Montevidéu. Parei por aí, mas para seguir até Buenos Aires é só ir de Buquebus. A Cuca de Prata fez um roteiro bem parecido, dá uma olhada aqui http://cucadeprata.blogspot.com.br/ Espero que ajude, essa viagem vale a pena!

      Responder
  3. sand vol disse:
    02 de fevereiro de 2015 às 16:49

    Legal…adorei….vou fazer um igual…tambem gostei da cor Amerela que e bem visivel a noite…boa sacada. Mas 15 dias so com 4 camisas!?!! E ainda pedalando!!

    Responder
    • Claudia disse:
      02 de fevereiro de 2015 às 23:39

      Sand, faz um sim, vale a pena! A cor é linda, fez sucesso com os outros ciclistas do caminho :)

      Responder
  4. Lan Succi disse:
    03 de fevereiro de 2015 às 12:01

    Olá Cláudia. Que delícia de aventura. Fiquei pensando é segura. Não pela bike em si, mas pela possibilidade de encontrar pessoas mal intencionadas no trajeto. Vai rolar outro post com os achados crafts e lojinhas interessantes? Parabéns. Pelo feito e pelo post. Gostei bastante.
    Bjinho
    Lan Succi

    Responder
    • Claudia disse:
      05 de março de 2015 às 23:46

      Oi Lan, conheci uma loja em Maldonado, perto de Punta del Este, que era do mesmo ano em que eu nasci – e a dona ainda estava por lá! Mas teria que ser um texto de reflexão, sobre o estilo de vida dos uruguaios. Vamos ver, tô pensando ainda.

      Maaaaaaaas… apesar da bagagem ultra limitada, consegui uns garimpos especiais! Vamos levar para o próximo Bazar Ógente, de Dia das Mães, espero que você possa vir!

      Responder
  5. CLAUDIO MOREIRA |||TIJUANO||| disse:
    03 de fevereiro de 2015 às 13:59

    Achei muito legal a iniciativa de se fazer o próprio alforge, não sei se teria essa habilidade. Agora, essa rota que você fez é fantástica, ainda irei percorrer. Eu e minha mulher iniciamos recentemente no cicloturismo, depois de uma rápida e inspiradora viagem de Campo Grande MS a Aquidauana MS via 2 irmãos do Buriti passando pela estrada parque Piraputanga, 169km, foi muito legal, tanto que agora em março iremos para um desafio maior, 650km pelo chaco pantaneiro, tentaremos circular pela rota Bahia Nega, sim, tentaremos, pois, se estiver encharcada teremos que voltar. Muito boa sorte para você, desejamos um dia nos cruzar pelas rotas desse nosso mundão de meu Deus.

    Responder
    • Claudia disse:
      05 de março de 2015 às 23:44

      Só de ler a descrição já deu vontade de viajar de novo rs Boa sorte pra você também!!

      Responder
  6. liliblueberries disse:
    04 de fevereiro de 2015 às 07:44

    Oi Cla,

    Parabéns pela habilidade de fazer teu próprio alforje, ficou muito legal!!!!!

    E parabéns pela coragem de viajar tantos kms. de bike!!!!
    Que bom que deu tudo certo!!!!

    Muitas histórias para contar e muitas aventuras!!!!
    Parabéns,

    Bjs.

    Responder
  7. Laura disse:
    20 de março de 2015 às 14:00

    Adorei a ideia de fazer o proprio alforje! Pretendo fazer o meu, agora. Onde encontro o tipo de tecido que você utilizou? Tem um nome especifíco? Você acha que o tecido impermeavel Acquablock da Karsten resiste? Obrigada, beijos

    Responder
    • Claudia disse:
      20 de março de 2015 às 16:11

      Oi, Laura, o Acquablock não é totalmente impermeável, pra chegar perto dos 100% só plástico mesmo. O que eu usei chama tecido emborrachado antiderrapante – ele tem uma textura para o banco da moto não ficar liso e escorregar. Espero ter ajudado. Bjs

      Responder
      • Claudia disse:
        25 de março de 2015 às 17:23

        Olha, escrevi pra Karsten, e eles me responderam o seguinte: “o tecido acquablock recebe uma enzima que o torna impermeável por completo, só permite a entrada de água se deixado em tempo integral e permanente ao sol e chuva, o que não indicamos”. Legal, né? :)

        Responder
  8. Lídia disse:
    10 de abril de 2015 às 10:16

    Oi Cláudia!
    vendo seu post me animei e estou aqui na produção do meu primeiro alforje (uhuuull!!). Sensacional, estou ficando feliz com o resultado e com ele quase pronto foi aí que surgiu a dúvida – como é que você fez pra amarrar ele no suporte da bike? Eu tive um alforje uma vez que tinha essas fitas que passam em uma fivela pra lá e pra cá, e apertam quando você puxa (sei lá o nome disso). pensei em arrumar umas dessas, ou simplesmente amarrar ele mesmo, mas teria que costurar mais umas fitas nele né? enfim, queria saber qual solução você deu pra isso!

    Obrigada!!

    Responder
    • Claudia disse:
      10 de abril de 2015 às 13:20

      Oi Lídia, o peso do alforje deixa ele firme no suporte, mas eu prendi com aquele cabo elástico que se usa em bagageiro de moto ou bicicleta. Outra opção seria colocar uns fechos ou velcro, mas nesse caso você vai ter que marcar o lugar exato da costura. O elástico funcionou bem pra mim! Espero que seu alforje seja muito usado :)

      Responder
  9. Flávio disse:
    14 de abril de 2015 às 22:25

    Muito legal. Vc pegou chuva e conseguiu testar se realmente é impermeável?
    Vou procurar essa lona pra fazer o meu. Vc lembra o nome da loja?
    Obrigado.

    Responder
  10. Laura disse:
    08 de maio de 2015 às 12:48

    Oi, Claudia! Tudo bem? Estou começando a costurar agora e quero fazer um alforje para minha bike! Comprei vinilona mas estou tendo dificuldades para costurar! MInha máquina é a Singer Brilliance 6160. Que sapatilha você usou para este tecido? É dificil fazer com que ele deslize… Nunca costurei plástico. E agulha? Tens alguem dica? Obrigada! :D

    Responder
  11. Russo disse:
    19 de maio de 2015 às 08:54

    Quem maneiro!!!!! gostei muito, quero fazer, que linha voce utilizou para costurar a lona?
    voce fez em maquina de costurar normal? aqui em casa tem 2. um singer antigona e uma nova, da pra fazer?

    Obrigado!

    Responder
  12. Tiago disse:
    20 de maio de 2015 às 05:51

    Desculpe, mas o material não está incompleto?
    Não teria que ser dobrado, já que em cada saco vai uma tira em cada lado além do fecho?
    (no caso seriam 2 fitas de nylon para mochila de 65 cm e 2 fechos de mochila na mesma largura da fita para cada saco?)
    Penso em fazer um pra a cidade mesmo, para ir trabalhar…

    Responder
  13. Osorio disse:
    07 de junho de 2015 às 23:20

    Muito legal. Uma dica verde: sabe aqueles banners de vinil que vemos em simpósios, promoções e outros eventos do tipo? Muitas vezes eles são descartados ao fim do evento. Eles tem uma durabilidade enorme, além de serem impermeáveis. São um substituto muito bom para a lona. Já ví pufs feitos de retalhos costurados desses banners, formando mosaicos com as ilustrações impressas dos mesmos. Caso não goste dos desenhos e textos do banner em reaproveitamento podes usar o verso, que geralmente é cinza. Para terem uma idéia da durabilidade, o mesmo vinil é usado em luminosos e painéis externos de lojas.

    Responder
  14. 17 de junho de 2015 às 14:21

    Boa tarde Sra Claudia. Gostei muito da postagem, gosto de viajar de bicicleta mas não sou costureiro. Tenho um alforge simples há 4 anos que está se acabando com o uso/tempo.

    Quando passo por São Paulo/SP vejo maquininhas de costura manual portátil (http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-657937289-mini-maquina-de-costura-sm-505-steammax-_JM) elas servem para fazer um alforge simples? (http://www.ondepedalar.com/pt/acessorios/peca/alforjes-4/rack-bike-way-21)

    Cicloabraços – joaozinho

    Responder
  15. Fernanda Brandão disse:
    03 de julho de 2015 às 13:20

    Olá :)
    Nossa adorei a dica, eu pedalo.. vou pra piqueniques e sempre quis uma dessa na minha magrela. Valeu.

    Fiquei com algumas dúvidas:
    1) você costurou em uma máquina dessas comuns? elas aguentam costurar em lona… qual agulha usou?

    2) No passo 6, achei um pouco confuso. Não entendi como você fez a junção dos sacos com o tecido. No desenho parece que a costura foi feita na boca dos sacos, mas na foto… parece que você costurou mais pra dentro… deixando uma sobra. Fiquei confusa. kkkk

    :)

    Responder
  16. Gabriela disse:
    21 de julho de 2015 às 19:00

    Parabéns pela viajem, eu amo o Uruguay, moro em São Leopoldo RS, e ja fui de carro, CHUi Montevideo, muito bom. Mas de Bike nao sei se teria coragem, mas ta valendo, aqui em Sao Leo, as ruas são muito sobe e desce hahahahahah, de bike nao dá, mas a gente se esforça, e nao tem ciclvia. Mas adoro a bike. Beijos. Adorei o alforge. Vou pensar em fazer um menor.

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