30 set 14
costuracraft tour
Uma biblioteca equipada com máquinas de costura!
por Claudia

Costura na biblioteca

Olhem isso que legal! Numa cidadezinha da Califórnia, perto de São Francisco, chamada Mountain View, a biblioteca “empresta” máquinas de costura! Em um programa conhecido como Sew Sew Saturdays, algumas máquinas ficam à disposição para uso. É preciso reservar um horário antes, super simples pela internet, e não é aula. Uma monitora, que é voluntária, fica por lá para acompanhar e ajudar com dúvidas gerais.

Descobri meio que por acaso. Tinha ido na biblioteca por outros motivos e vi este cartaz. Logo me inscrevi para o sábado seguinte. Pra quem está viajando, é uma ótima chance! Nunca pensei que costuraria fora de casa :)

Costura na biblioteca

Pois bem, aproveitei para levar meu pijama que tinha rasgado. E lá fui eu no sábado para a biblioteca. Eu consegui o horário das 10h15 às 11h. Já tinham algumas pessoas por lá. Em geral, quem frequenta é o pessoal da cidade que não tem máquina de costura. Uma moça estava fazendo barra de calça e outra ajustando uma jardineira de sarja. Tinha também uma senhora que mais conversava do que costurava…

Costura na biblioteca

Eles oferecem quatro máquinas de costura Baby Lock, bem moderninhas, e uma de overloque – que aqui eles chamam de serger.

Costura na biblioteca

A voluntária também traz alguns materiais, como agulhas, alfinetes, bobinas, tesouras e linhas. E que linhas, hein? Quando vi aquela caixa cheia de carretéis coloridos até me esqueci que tinha ido lá costurar. Tão fotogênicos, não conseguia parar de fotografá-los!

Costura na biblioteca

Bem, só mais um close dos meus carretéis favoritos e seguimos… Quem resiste a estes antiguinhos de madeira?

Costura na biblioteca

Costurei meu pijama em 5 minutos. Eu ainda tinha mais 40 para aproveitar. Com uma máquina à disposição, resolvi inventar mais alguma coisa.

Costura na biblioteca

Aproveitei uns retalhos que estavam por lá e improvisei um projeto novo. Fiz uma bolsinha de pano para proteger o celular na bolsa. Sobrou um tempinho e fiz mais uma. Aproveitei para testar os pontos diferentes da máquina. Ah… e o legal é que conversando com a Sarah, a voluntária, eu aprendi que desmanchador de costura em inglês é seam ripper.

Costura na biblioteca

Infelizmente a salinha de costura não funciona todo dia, apenas aos sábados. O espaço lá originalmente é para o pessoal de conservação e materiais históricos de Mountain View. Aproveitei também para dar uma olhada nos livros que estavam expostos por lá! Bastante coisa antiga e diferente,

Costura na biblioteca

Mountain View não é um destino turístico clássico, mas achei legal dividir a experiência por ser inusitada. Adoraria ver mais bibliotecas, principalmente brasileiras, oferecendo este tipo de apoio à população local. Então fica a dica. Quem sabe um dia no Brasil a gente tenha algo parecido :) O primeiro passo é divulgar!

Costura na biblioteca

Se alguém já viu algo parecido em outras cidades, conte sua história nos comentários, quero saber!

25 set 14
craft touroutros bla bla blas
Peru: tintas e pigmentos artesanais
por Claudia

Tintas peruanas

Mais um pouquinho da viagem do Peru. Teoricamente estas fotos deveriam estar no mesmo post que escrevi sobre a feira de Pisac, que vocês viram aqui no blog faz umas semanas. Lá conheci uma senhora que vendia pigmentos para pintar, como aquarela. Sua barraca era uma mesinha no chão, coberta com um tecido pink, e latas cheias de tintas em pó.

As cores eram tão explosivas, e tirei tantas fotos, que mesmo sem ter muita informação sobre como são feitas ou de onde vem, quis dar um destaque especial a este achado. Vendo as fotos vocês devem concordar…

Tintas peruanas

As tintas, expostas em latas antigas meio enferrujadas, eram tão vivas que dava vontade de colocar a mão – em um momento Amelié Poulain :-) Claro que não fiz isso, mas fiquei tentada.

Tintas peruanas

Para testar, apenas papéis. Uma pontinha rasgada de papel servia de pincel. Simples assim.

Tintas peruanas

Em geral, era a senhora que fazia as demonstrações. Mas quando passei por lá estava vazio e tranquilo. Ficamos conversando e perguntei se eu podia brincar!

Funcionava assim: pegue um tiquinho de tinta, bem pouco, bem menos do que eu peguei aí na foto, molhe na água e passe no papel.

Meu primeiro resultado ficou empelotado porque usei mais tinta do que deveria. Comparem com o segundo teste, este ficou mais suave e diluído.

Tintas peruanas

Muitas cores. Muita vontade de pintar.

Tintas peruanas

Algumas tintas se misturam e mudam de cor. Mais testes.

Tintas peruanas

 

No final, levei pra casa, claro. Ela vendia as tintas em cartela, tudo pronto, já montado com uma cor de cada, em saquinhos. Eram dois tamanhos: pequeno ou pequenininho :-)

Tintas peruanas

Para quem tiver a oportunidade de conhecer Pisac, não deixe de procurar a senhora das tintas!

Tintas peruanas

Para saber mais sobre Pisac, no Peru, e detalhes da feira de artesanato, como ir, onde ficar, etc, leia este texto que escrevemos aqui no Superziper.

01 set 14
craft tour
Peru: Pisac, a cidade do artesanato
por Claudia

Pisac, Peru

Quando estava pesquisando sobre Peru e a região de Cusco, me falaram que eu tinha que conhecer Pisac, uma aldeia da região do Vale Sagrado, conhecida também pela feira de artesanato na praça central. Eu tinha um dia livre antes de começar um roteiro a caminho de Machu Picchu, então aproveitei para ir até lá.

De Cusco é bem fácil de chegar, cerca de 30 min de van ou taxi. A maioria das pessoas vai para ver as ruínas incas, mas o meu foco era a feira :)

Pisac foi construída às margens do rio Vilcanota, entre lindas montanhas – as fotos mostram um pouco. A altitude é um pouco mais baixa do que em Cusco (entre 2.800 e 3.000 metros), então é relativamente mais tranquilo ficar por lá. Se eu soubesse, teria passado os primeiros dias em Pisac para depois subir um pouco mais (dizem que o único jeito de se adaptar a altitude é ir gradativamente).

A cidadezinha é pequena, ruas estreitas e construções típicas – e com um movimento bem mais tranquilo do que Cusco, que parece cidade grande perto dela.

Pisac, Peru

A feira, que acontece às terças, quintas e domingos, tem muitas barracas espalhadas pela praça central. Domingo é o dia com mais expositores e as ruas também recebem os campesinos (camponeses) que trazem suas colheitas da semana. Me falaram também que as barracas mudam de lugar. Conheci um mochileiro que comprou um cinto e depois queria trocar, mas teve que rodar toda a feira até achar o vendedor. Se for assim mesmo, acho mais justo – assim todos têm a oportunidade de expor em um local melhor e ninguém fica pra sempre em um ponto micado.

Pisac, Peru

Tirei bastante fotos para dar uma visão geral do que se pode encontrar por lá. O tradicional do que se entende por “artesanato” peruano, como tecidos, tapetes, panos. Tem muito – em cores lindas, desenhos e estampas de todos os tipos.

Pisac, Peru

Os tecidos são muito usados, até hoje em dia, para carregar coisas nas costas, tipo um furoshiki peruano. Eu comprei um amarelo, bem colorido, pra usar como toalha. Mas é possível também encontrar o tecido na versão repaginada, como nesses tênis! Ficou o máximo!

Pisac, Peru

Muito tricô também. A maioria das peças feitas a mão. Sempre tinha alguém tricotando. E eram pilhas e pilhas para escolher. Os modelos até são parecidos, mas dá para ver que são peças únicas, sempre algum detalhe diferente, sem repetir.

Pisac, Peru

Ah… e os instrumentos musicais também, claro! A flauta ‘quena’ acompanha o manual para aprender a tocar.

Pisac, Peru

Bolsas e sacolas aos montes. Em vários tipos, acabamentos, de lã pura, sintético, misturado com couro…

Pisac, Peru

Coisas para casa e muitas opções para presentear. Jóias em prata e em pedras, trabalhadas. Mineração é a primeira fonte de renda do país, principalmente cobre e prata (o ouro ainda vem muito de mineração ilegal).

Pisac, Peru

Em tecido, bonecos tradicionais de todos os estilo e tamanhos. Queria entender a explicação por traz deles, mas não tive tempo de perguntar.

Pisac, Peru

Ainda falando de tecidos, vi muita coisa tradicional. Estes das quatro fotos abaixo, são peças de família que passam de geração em geração e ficam à venda como se fosse uma penhora. As famílias mais simples entregam seus ‘bens’ aos comerciantes, que levam ao mercado para vender esperando conseguir um bom valor pois sabem que este tipo de manualidade mais antiga tem um valor mais alto no mercado. Se eu pudesse, teria fotografado cada pilha de chapéus, cintas e mantas… Estes produtos familiares eram de uma variedade incrível, peças únicas que contavam histórias (seja pelas cores, pelas tramas e desenhos).

Pisac, Peru

Estes pingentes e pompons também faziam parte deste ‘lote’ e são usados como enfeite de chapéus, tranças e cintos. Reparem que para deixá-los mais enfeitados, eles são bordados com miçangas brancas – vi muito disso.

Pisac, Peru

Ninguém sai de mãos livres, difícil resistir. Tem souvenir de todos os tamanhos, desde porta-moedas (com o logotipo do Peru) e até tapetes enormes. Ou seja, para todo tipo de mala e de turista.

Pisac, Peru

Os peruanos são muito simpáticos. Parei para conversar com estes vendedores, que tinham barracas mais simples e improvisadas. Muito atenciosos e dispostos em contar detalhes para turistas interessados em saber mais. Sobre a a mulher que vendida pigmentos/ tintas farei um post a parte – tenho mais fotos :)

Pisac, Peru

Antes de ir embora da feira, milho! Os coloridos eram apenas para decoração. Mas este gigante com queijo branco eu comi pra matar a fome mesmo… Mais fotos aqui.

Pisac, Peru

De lá, resolvi dar uma passada rápida no mercado municipal da cidade para tomar um suco natural feito na hora e fotografar mais um pouco. Essas sandálias estavam à venda e eram feitas com tiras de pneu, cheguei a ver gente usando. Muito delicado o detalhe da florzinha!

Pisac, Peru

E no caminho paro transporte que me levaria de volta a Cuzco, encontrei um armarinho. A lã que vendiam (parte estava expsta na rua mesmo) era acrílica, mas em cores lindas… Que cidade, o paraíso!

Pisac, Peru

Comentários finais sobre Pisac: vale muito a pena ir!

. Artesanato: quem quiser aproveitar a feira para comprar presentes e lembrancinhas, recomendo levar uma lista (ainda melhor, uma tabelinha) com os nomes das pessoas e o que quer dar para cada uma delas. É muita coisa e é fácil ficar zonzo com tanta opção (foi o meu caso).

. Pagamento: as barracas aceitam apenas dinheiro, soles peruanos ou dólares. Perto da praça tem um caixa eletrônico para quem precisar.

. Transporte: se for apenas passar o dia, saindo de Cuzco tem excursões organizadas por agências. Eu preferi ir sozinha, as vans/ lotações saem da Calle Puputi (informe-se no seu hostel ou hotel como chegar lá). O preço é bem mais em conta. Quando descer em Pisac, informe-se dos horários de volta e local de partida. Taxi também é uma opção, sendo mais vantajoso fazer a ida e volta com o mesmo taxista – sugiro deixar tudo combinado antes.

. Roteiro: Dá para ficar em Pisac algumas horas, uma manhã, um dia inteiro ou vários dias – depende da sua disponibilidade. Em muitos roteiros de agências, Pisac é apenas uma parada rápida no tour pelo Valle Sagrado. Se for por conta própria e puder ficar meio período, você terá que escolher entre a feira e as ruínas. Se puder ficar mais um pouco, um dia inteiro, dá para visitar os dois. E se puder passar a noite e mais uns dias, saiba que Pisac tem um hotel e algumas hospedarias simples. É só pesquisar.

Por mim, eu teria ficado mais, se soubesse que gostaria tanto de lá. Queria conhecer melhor o lugar, ir nas ruínas, subir nas montanhas, ver tudo com calma e poder conversar mais com os comerciantes. Além disso, a altitude é mais amena do que em Cuzco. Pra mim seria o ideal, mas agora só em uma próxima :)

12 ago 14
craft tourinspiração
Peru: tradição em tingimento natural
por Claudia

Peru: tingimento

Acabei de voltar de uma curta viagem ao Peru, mais precisamente Cusco e arredores, e fiquei encantada de ter tido a oportunidade de ver os bastidores da produção artesanal. O povoado de Chinchero fica na região do Valle Sagrado. Em um dos passeios às ruínas incas, houve uma parada no pequeno Centro Têxtil Urpi, para conhecer um pouco mais sobre o tingimento natural, técnicas e ferramentas de tecelagem tradicional ainda utilizados pelas mulheres do local.

Atenção: este post contém muitas fotos… Foi difícil fazer uma seleção mais enxuta ;-)

Peru: tingimento

O local é pequeno e bem turístico, uma estrutura pronta para receber grupos de visitantes. Mas tudo muito organizado e bem ajeitado. Eles sabem o que mostrar e o que as pessoas querem ver. Tinha até lhamas!

Peru: tingimento

Os turistas eram levados a este mini auditório bem rústico para ouvir as explicações sobre os processos de tingimento! E para quem precisava se acostumar com a altitude, o famoso chazinho de folhas de coca…

Peru: tingimento

A variedade de tonalidades e cores me impressionou. Na verdade, elas já chamam a atenção nos artesanatos típicos do Peru. Foi muito interessante ver como eram feitas.

Peru: tingimento

Antes de ir às cores, registrei mais duas partes importantes do processo:

1. lavagem da lã: a lã da tosa da lhama ou da alpaca precisa ser limpa antes de tudo. Eles usam o ‘gigantón’ (ou ‘zajtán’), a raiz de um cacto para ensaboar e tirar a gordura e sujeiras. Esta raiz também era usada para lavar os cabelos, também conhecida como ‘shampoo incaico’. Na foto ao lado, coador feito de palha.

Nota: alguns nomes são em castelhano, outros em quechua ou aymara. A escrita tem várias formas, então vou atualizando este post conforme recebo informações mais precisas.

Peru: tingimento

2. mistura com minerais ou outros elementos: a tinta raramente é utilizada pura. Estes aditivos são usados para ajudar na fixação da cor, variar tonalidade e combinar propriedades químicas para atingir o resultado esperado. O limão misturado com a cochonilha suaviza os tons. Na foto do meio, sal da salina de Maras (também desta região).

Peru: tingimento

Mas vamos às cores e de onde vem, que é o que mais interessa.

VERMELHO: A principal cor é o vermelho. Ele vem da cochonilha e rende vários tons e variantes – dizem que até 18!

Peru: tingimento

A cochonilha é um inseto parasita que se alimenta da seiva dos cactos da região. Ou seja, é uma praga! Mas eles descobriram que ele produz um composto de tom avermelhado perfeito para tingimento! Aqui no meu quintal já vi este tipo de pulgão, mas não tão gordos e nem tão abundantes em tinta.

Peru: tingimento

Vocês não imaginam o que uma “bolinha” dessas estourada na mão faz! As meninas comentam que usam nos lábios como batom. E demora para sair. Eu manchei os dedos e no dia seguinte ainda estava rosa.

Peru: tingimento

AZUL:este tom vem da ‘flor de hancas’.

Peru: tingimento

LILÁS: folhas secas de awaipili.

Peru: tingimento

ROXO: água de fervura do milho roxo, que eles chamam de maíz morada. Este milho é muito usado para fazer a bebida típica, ‘chicha morada’.

Peru: tingimento

VERDE: folhas de chilca.

Peru: tingimento

VERDE ACINZENTADO: folhas de kinsacucho, também conhecido como trés esquinas.

Peru: tingimento natural

VERDE CLARO: folhas de eucalipto.

Peru: tingimento

AMARELO: flor de retama.

Peru: tingimento

OCRE: flor de coli.

Peru: tingimento

LARANJA: cortiça de kehuniya.

Peru: tingimento

TERRA: vem do musgo que nasce em pedras, eles chamam de ‘barba de las piedras’.

Peru: tingimento

Mais alguns detalhes: coco de lhama para ajudar no fogo, artefato de madeira para fiar lã e canecas e utensílios usados no tingimento.

Peru: tingimento

Neste local, é possível também acompanhar o processo de como as artesãs preparam as tramas e tecem fitas, tapetes e mantas. As cores e os desenhos têm significado e contam histórias. Elas sabem tudo de cabeça e brincaram que não usam revistas ou receitas.

Peru: tingimento

No final, é possível comprar produtos feitos pela comunidade. Há bancas com malhas, tapetes, bolsas, luvas, gorros, cachecóis e pequenas lembrancinhas. Não aceite o primeiro preço que disserem – lá, eles esperam que você negocie e peça desconto. Comigo foi assim…

Peru: tingimento

 

Na tentativa de escrever os nomes das plantas corretamente (não confiem 100%), encontrei na internet alguns artigos bem interessantes e bem mais completos sobre tingimento natural. A quem se interessar, recomendo (conteúdo em espanhol):

. Fórum sobre pigmentos naturais para fibras

. Documento ‘Tintes Naturales’, da Escola de Belas Artes do Peru

. Plantas tintoreas, em Etnobotánica

. Tinturas naturales

Para os interessados em conhecer o pueblo de Chinchero, o mais fácil é visitar quando estiver em Cusco. Este local costuma ser parada de quem faz tour pelo Valle Sagrado. De Cusco, é cerca de meia hora de ônibus ou van. Você pode organizar visita através de uma das mais de 1.000 agências de turismo de Cusco ou tentar ir sozinho usando transporte local. Em Cusco, peça informações sobre as vans (as nossas conhecidas ‘lotações’) para Chinchero, um distrito da provincía de Urubamba.

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