30 nov 15
craft tour
Dorella Tecidos Finos, uma loja de antigamente
por Claudia

Loja de tecidos finos

Um dia desses, andando pela região central de São Paulo, (re)descobri uma loja de tecidos finos na rua do Arouche. Uma placa na porta de retalhos de tecidos em promoção chamou minha atenção e fui conferir.

Os cortes estavam no balcão perto da vitrine. Não eram os tecidos mais disputados e nem os mais atuais, realmente um saldão. Comecei a prestar atenção nos tipos e cores – havia algo de raro por ali! Tecidos que eu não via desde criança. Reparem nas palavras das ourelas: tergal, permapress, Berbari, verão Kenia! Definitivamente lotes e rolos que ficaram no estoque por muitos anos. Então resolvi explorar e fotografar para que vocês pudessem conhecer um pouco mais do local.

Loja de tecidos finos

A Dorella é uma loja de tecidos finos. Panos para fazer vestidos de festa, blusas sociais, para homens e mulheres. Os móveis de madeira provavelmente são os originais da época de ouro da loja. E reparem que ainda oferecem o serviço de estilista, que desenha à lápis criações aliando o melhor do tecido com o caimento para o corpo da cliente. Raridade, faz muito tempo que eu não via isso…

Loja de tecidos finos

Muitas sedas, rendas, tecidos leves, estampados, com muita variedade de cor e detalhes. Fiquei pensando se eu não tinha nenhum grande evento programado para os próximos meses que merecesse um pequeno luxo como esse.

Loja de tecidos finos

Alguns tecidos sinceramente eu nem conhecia a descrição ou composição. Reparem nas sedas. Tem seda pura, seda mista e seda selvagem! Novidade pra mim.

Loja de tecidos finos

Fiquei horas namorando as etiquetas, principalmente esta última, que teve os ícones desenhados por alguém de lá!

Loja de tecidos finos

Na parte de tecidos masculinos, havia muita variedade. A qualidade das lãs e tecidos de inverno era de babar. Fiquei conferindo um por um, namorando a composição: lã virgem, lã inglesa, merino, só coisa chique. E esses lacres?! Ermenegildo Zegna e Booth Brothers não é pouca coisa.

Loja de tecidos finos

Esta loja me lembrou muito a infância, quando acompanhava minha mãe e ficava observando os detalhes, passando a mão nos tecidos, me enrolando nos panos expostos e sonhando com belos vestidos!

Loja de tecidos finos

Até as fitas métricas parecem daquela época…

Loja de tecidos finos

Gostou? Vai lá! Recomendo o passeio. Fica pertinho do metrô República.

Loja de tecidos finos

Dorella Tecidos Finos
Rua do Arouche, 68
São Paulo, SP

14 out 15
craft tour
Visita a um banco de tecidos
por Claudia

Banco de Tecido

Você sabia que existe um banco que ao invés de dinheiro trabalha com tecidos? Este é o conceito inovador da loja ‘Banco de Tecido‘, na Vila Leopoldina, em São Paulo.

Antes de fazer um rolê virtual pelo local, vale a pena entender primeiro o conceito, uma criação de Lu Bueno. Atuando como cenógrafa e figurinista, percebeu que havia pouco reaproveitamento de tecidos bons que eram empregados nas produções – seja como sobras, erros, resíduos, etc. Em geral, viravam descarte. Mas ela viu oportunidade e apostou em um modelo que dá sobrevida aos tecidos parados ou descartados, não apenas em teatros e produções de TV, como até na casa de costureiras comuns.

Mas porque banco? Porque a loja aceita tecidos como depósitos ou pagamentos. Em resumo:
1) clientes podem trazer seus tecidos
2) a loja lava, passa, cuida e seleciona o que entrará no banco
3) o material é pesado e para cada quilo depositado o cliente recebe créditos para ‘sacar’ tecidos do local

(mais detalhes sobre a história da loja e funcionamento do banco aqui)

A loja é pequena, mas vale a visita.

Banco de Tecido

Super bem decorada e cheia de detalhes, enchem os olhos de quem visita. Nada como ter uma dona com experiência em cenografia – ambiente bem pensado, boa disposição e funcionalidade, além de detalhes encantadores :) E sim, além de banco, eles também funcionam como loja, vendendo os tecidos do estoque por quilo, mesmo para quem não trouxer os seus em ‘troca’.

Aqui uma visão geral da loja, que fica em um sobrado reformado e ajeitado na Vila Leopoldina. Para quem não conhece o bairro, fica na área do Ceasa e por lá existem vários galpões de produtoras de filmes publicitários, TV, cinema, etc

Banco de Tecido

A maior parte dos tecidos para ficam estocados em caixas transparentes, mas na estante de madeira há pacotes prontos, com combinações de cores e estampas. Útil para quem faz patchwork. Bom presente também, porque estão como tal!

Banco de Tecido

Os tecidos ficam estocados em caixas plásticas transparentes, separados por cor. Nem preciso contar que xeretei todas as caixas, sempre com a ajuda atenciosa de uma funcionária. O pessoal que trabalha lá entende do assunto e pode ajudar a encontrar o que se busca. Aqui, a seleção de estampados.

Banco de Tecido

Nesta foto, as caixas com cores escuras. E nas araras, as roupas em materiais experimentais e figurinos criados pela dona do local.

Banco de Tecido

Dependendo da época, pode-se encontrar tecidos em rolos e em maior quantidade. O estoque está em constante mutação. Claro, vai depender de quem passou por lá antes de você… Na foto abaixo, os pacotinhos de tecidos que combinam entre si e a caixa de aviamentos, fitas e galões.

Banco de Tecido

Levei vários retalhinhos de cores e tipos diferentes. Depois de escolhidos, a seleção vai para a balança e o preço é calculado. Comprei também uma placa de feltro bem grossa para usar na mesa da cozinha como base para passar roupa. A dica foi da Lu Gastal, que compartilhou o achado quando nos encontramos em um bazar de patchwork no meio deste ano.

Banco de Tecido

A balança fica junto de uma placa de metal. Fixada na parede, serve de revestimento e também segura uma infinidade de acessórios, ferramentas, amostras e informações com ímãs de botões :)

Banco de Tecido

Aqui em detalhe. Réguas, compassos, alfinetes, tesouras, estilete, fita métrica – tudo à mão!

Banco de Tecido

Antes de ir embora, não deixe de admirar os quadros de botões feitos pela Lu.

Banco de Tecido

Estão expostos de forma ‘suspensa’, em molduras artesanais, presos por anzóis. Vale a pena apreciar.

Banco de Tecido

A iniciativa está começando a se espalhar. Além da loja em SP, há uma unidade em Curitiba, em funcionamento desde julho de 2015. Clique aqui para saber mais.

Banco de Tecido
Rua Campo Grande, 504, V. Leopoldina
de 2ª a 6ª das 9:30 às 18h
bancodetecido@lupa.art.br
telefone: 11 4371-3283 (falar com Andressa Burgos ou Lu Bueno)
http://bancodetecido.com.br/
https://instagram.com/bancodetecido/

Banco de Tecido

07 jun 15
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Bastidores de uma produção de luxo
por Claudia

Festival des Métiers

Termina hoje, domingo, dia 8 de junho, uma exposição sensacional na FAAP. “Festival des Métiers” traz para o museu a simulação do ambiente de trabalho de alguns dos artesãos da grife de luxo Hermès. Ficou apenas 10 dias em cartaz em São Paulo, imagino que seja por causa da logística e também pela agenda apertada – a exposição vem rodando o mundo há 5 anos.

Festival des Métiers

Tive a oportunidade de visitá-la ontem e fiquei muito contente com a oportunidade de ver oito artesãos profissionais trabalhando ao vivo para os visitantes. Costureira, estampador, desenhista, pintora, joalheiro, marroquineiro… Todos estavam lá com suas ferramentas e equipamentos para mostrar os bastidores da produção da famosa maison francesa.

Festival des Métiers

Apesar da dica ser imperdível, restam poucas horas (e provavelmente muita fila) para que alguém que esteja lendo este post consiga se deslocar e chegar a tempo até lá e conferir.

Assim que decidi mostrar aqui no Superziper um outro lado da exposição: o das ferramentas!

Festival des Métiers

Enquanto todos os visitantes fotografavam tudo (principalmente o processo de estamparia em seda – o espaço mais concorrido), mudei meu olhar e passei a registrar momentos dos artesãos trabalhando com suas ferramentas e equipamentos.

E captei detalhes que talvez passavam desapercebidos, mas que para nós crafteiros soam como boas dicas. Porque não aprender e se inspirar com eles também?

DICA 1: Esteirinha de bambu
Adaptada para guardar (e transportar) uma infinidade de tipos e tamanhos de pincéis
Festival des Métiers

DICA 2: Pedaço de cortiça
Bem grosso, usado para espetar agulhas e ferramentas
Festival des Métiers

DICA 3: Alicate protegido
Pedaço de couro cobrindo a ponta da ferramenta, para dobrar e manipular peças sem deixar marcas. Reparem também no bloco de cera de abelha, usado para deixar o fio de costura mais firme e fácil de deslizar.
Festival des Métiers

DICA 4: Molde finalizado em acetato
O contorno do produto final em transparência é usado para o controle de qualidade da produção
Festival des Métiers

DICA 5: Bandeja de materiais
Apenas o suficiente fica na mesa de trabalho, e dentro de uma caixinha pequena, principalmente para quem trabalha com nanquim. Sem riscos! Reparem também no bloco de lixa, usado para afinar a ponta do lápis.
Festival des Métiers

DICA 6: Peso de papel
Um pedaço de metal é usado para segurar o papel na mesa de luz. Útil e necessário.
Festival des Métiers

DICA 7: Caixa com divisórias
Cada item no seu lugar: pregos, parafusos e metais do artesão que produzia selas de montaria.
Festival des Métiers

DICA 8: Ferramentas e peças pequenas
Massinha verde usada para segurar pequenas chaves de fenda em uso pela relojoeira. As peças diminutas ficam em tampinhas de plástico transparente para não se perderem na bancada.
Festival des Métiers

DICA 9: Diagrama de trabalho
Esquema de cores e peças impresso e pendurado com ímã na estrutura de metal. Fica bem posicionado na frente dos olhos para orientar e conduzir o trabalho de quem mexe com jóias e bijoux.
Festival des Métiers

DICA 10: Escova de dentes
Antes de jogar a sua fora, reaproveite. Aqui, a cabeça era usada para limpar e tirar sujeirinhas.
Festival des Métiers

DICA 11: Palito com ponta de borracha
Parecia um palito manicure, mas com uma ponteira de borracha. Ferramenta bem específica para a limpeza dos excessos na pintura de porcelana.
Festival des Métiers

DICA 12: Vidros e garrafas
Potes de geléia, garrafas de suco e outros vidros usados para armazenar quantidades menores de material de pintura.
Festival des Métiers

Muito legal ver no museu um ambiente de criação e trabalho manual. A matéria-prima com certeza é diferente, o produto final também. Mas no meio do caminho são profissionais que as vezes usam os mesmos truques na produção do que nós :)

Festival des Métiers

Para quem quer saber mais:
. Vídeo sobre a mostra na Vogue
. Galeria de fotos no Glamurama
. Matéria na Folha de S.Paulo
. Documentário ‘Hearts and Crafts’ de 2011 (áudio em francês com legendas em inglês)

28 abr 15
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Um coworking para geeks e fazedores
por Claudia

Visita ao Hacker Dojo

Espaços de coworking agora estão na moda aqui no Brasil. Para quem não sabe, são locais de trabalho coletivo, com recursos compartilhados, para serem alugados por profissionais independentes. Imagine um escritório que pode ser usado por várias pessoas, de qualquer empresa ou área de atuação, que já vem pronto para sentar e usar. Tem mesa, impressora, conexão de internet, etc e mais pessoas na mesma situação, que usam este espaço comum para trocar ideias e sair do isolamento de trabalhar sozinho em casa.

Pois bem, na minha viagem pelo Vale do Silício, conheci o Hacker Dojo, que basicamente é o coworking dos geeks e fazedores. Segundo um dos frequentadores, não há nada parecido no mundo, pelo menos em tamanho (um galpão de 1500 metros quadrados) e no funcionamento 24/7 (nunca fecha! ok, talvez no Natal).

A foto de abertura deste post já mostra um pouco do clima. Na recepção, além do neon Android, um computador para você registrar sua presença de forma self-service, sem a necessidade de uma recepcionista ou alguém controlando. Digitando seu email você era bem-vindo! E como guest (convidada), o meu caso, tinha direito a até 7 visitas sem custo.

Aqui uma vista da entrada, bem normal, não prometia muita coisa. Mas a escolha do lugar diz tudo. O Hacker Dojo está no miolo do Vale do Silício, na cidade de Mountain View, Califórnia, que é onde está a sede do Google. Essa região é um pólo de empresas de tecnologias estabelecidas, startups e pessoas interessadas em fazer negócios e conexões. Na pausa para o café, eu conheci gente interessante e com ideias muito diferentes! O poster mostra bem a quantidade de empresas que estão por lá…

Visita ao Hacker Dojo

Esta é uma visão geral do espaço. Não tinha muita frescura em decoração e estilo, exceto pelo ‘lustre’ no teto feito com macarrão de piscina :) As mesas não combinavam entre si, as cadeiras eram diferentes e bem normalzonas. Nada de design, o povo lá mesmo queria era trabalhar!

Não haviam lugares marcados. Como eles dizem, vale o esquema “first come, first serve” – ou seja, quem chegar primeiro tem direito a escolher primeiro.

Visita ao Hacker Dojo

Os recursos e facilidades são aqueles mesmos que a gente vê em filmes ou na imprensa sobre os escritórios do Google e empresas a fim:

1) lazer: os tradicionais mesa de bilhar, ping pong, etc
2) biblioteca: para uso geral, com livros de vários temas (adoro prateleiras com bilhetes e anotações a mão!) e empréstimo sem controle, só na confiança
3) mural de recados: vagas de emprego, oportunidades, negócios…
4) caixa eletrônico: mas não era do comum esse era especial para comprar e vender Bitcoins

Não tirei foto, mas também por lá havia bicicletário, salas para eventos, copa, cozinha, etc. Aliás, sempre alguém no fim do dia preparava pipoca, nham!

Visita ao Hacker Dojo

Alguns dos cartazes que fotografei:
1) frase inspiracional: “Feito é melhor do que perfeito”. Pelo jeito, o problema da enrolação (a famosa procrastinação) é uma característica da humanidade, mesmo entre os geeks do Vale do Silício. Ufa, hahaha
2) food trucks: programação de quem tinha visita programada ao estacionamento e faziam a alegria da galera. Reparem no horário de almoço… bem gringo!
3) classificado: o Tom estava vendendo um Google Glass. Pelo jeito, já era um brinquedo ultrapassado ;-)

Visita ao Hacker Dojo

Descobri este lugar através do meu irmão. Em geral, eu levava meu laptop e ficava nas mesas comunitárias. Mas eis que um dia descobri um cantinho sensacional: o laboratório aberto de engenharia e robótica. Vejam só!

Visita ao Hacker Dojo

Era assim, aberto, sem paredes, no meio de todo mundo. Robôs e protótipos espalhados pelo chão, projetos em andamento. Um clima muito relax. Esta foi uma das engenhocas que encontrei por lá!

Visita ao Hacker Dojo

E não era o único :-D Mais robôs pelo caminho…

Visita ao Hacker Dojo

Uma foto das bancadas do laboratório. Quando passei por lá, não tinha nenhum gênio trabalhando no momento.

Visita ao Hacker Dojo

Reparem que nas mesas e prateleiras haviam coisas enigmáticas. Pelo menos eu não sei como funcionam ou para quê servem. Bem, a lupa sim…

Visita ao Hacker Dojo

Mais um do que estava disponível para ‘brincar’.

Visita ao Hacker Dojo

E a baguncinha, claro! Presente em todos os ambientes criativos, haha.

Visita ao Hacker Dojo

Mas eu pirei com as gavetas! Mega organizadas, etiquetadas…

Visita ao Hacker Dojo

Não resisti e fui xeretar. LED e outras cositas más!

Visita ao Hacker Dojo

A gaveta dos alicates, estiletes e cortadores de fios gerou uma certa identificação. Com isso eu sabia mexer!

Visita ao Hacker Dojo

Nunca imaginei que existisse um lugar assim. Foi uma visita fantástica. Recomendo a quem estiver por lá, vale a pena passar um dia ou pelo menos umas horas trabalhando.

Se alguém se interessar:
Hacker Dojo
599 Fairchild Dr, Mountain View, CA 94043, United States
Telefone: +1 559-827-8282
Site: www.hackerdojo.com

——

E quem curtiu o Hacker Dojo e está pela Califórnia, vale a pena conhecer também o Maker Place de San Diego. Como membro, a pessoa tem direito a utilizar máquinas que dificilmente você teria em casa, como CNC, tornos, impressora 3D, cortadores de metais, equipamentos para madeira, couro, plástico e até materiais de silk screen, máquinas de costura, bordado e afins. Muito útil para quem precisa desenvolver protótipos por conta própria e criar à vontade sem ter que investir na compra de máquinas super poderosas!

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