10 abr 14
inspiração
Superziper visita: Exposição Panos, Sesc Bom Retiro
por Claudia

Panos Sesc Bom Retiro

Domingo dei um pulo no Sesc Bom Retiro e aproveitei para conferir a exposição ‘Panos, usos e costumes’, que estreou recentemente por lá. É uma exposição que tem de tudo um pouco. Imagina quanto assunto o tema ‘panos’ pode render… Então quem organizou optou por mostrar como eles são importantes na história da humanidade e como estão presentes entre nós, apesar de todas as modernidades do dia a dia. Aliás, o fato de ter sido organizada na unidade do Bom Retiro é proposital, bairro de São Paulo historicamente conhecido pelas confecções.

Fotografei o que mais gostei para mostrar aqui. Eu sugeriria o deslocamento não apenas pela exposição, mas para conhecer o Sesc Bom Retiro, que é relativamente novo (inaugurou em agosto de 2011). Vale conferir a agenda de shows e teatro. Se interessar alguma coisa, já aproveite o passeio para ver a exposição antes do evento, algo assim.

Reparem que a exposição se espalha pelos vários andares da unidade e ocupam os vários espaços. Tem tecido até no teto, me lembrou tendas de beduínos. Como o tema são usos e costumes, há um setor que exibe os panos como vestimenta.

Panos Sesc Bom Retiro

Mas eu gostei mesmo deles na cabeça – os arranjos e amarrações são lindos e complexos. O azul, meu favorito, é um lenço dos anos 1940. O outro é um pano de Chichicastenango (Guatemala).

Panos Sesc Bom Retiro

Nos corredores, eles fizeram essa brincadeira sensorial, de passar por um degradê de cores e texturas. Não esqueceram do varal. Quem nunca pendurou um pano assim? No catálogo, o Sesc diz que é uma exposição interativa. Além do telão na sala dos manequins, na biblioteca há uma mesa computadorizada para você ler mais. Mas são só alguns parágrafos. Eu particularmente anotei os temas que mais me interessaram e vou procurar na internet.

Panos Sesc Bom Retiro

Isso aqui foi uma das coisas que mais gostei de ver – a obtenção do fio. Primeiro com a lã. Lindas texturas e variações. Um fio industrializado fica até sem graça perto de um assim, todo irregular.

Panos Sesc Bom Retiro

Mas foi a seda que me impressionou. Nunca tinha visto ao vivo o casulo do bicho da seda e nem o fio assim tão fininho. As fotos mostram a delicadeza do material.

Panos Sesc Bom Retiro

Esta cartela de tingimento natural também é inspiradora. Para quem faz em casa, fica a dica das misturas.

Panos Sesc Bom Retiro

As etapas da trama, no tear, fazem pensar… e dar valor ao trabalho (e criatividade) de quem faz pano manualmente!

Panos Sesc Bom Retiro

Na seção de enfeites, blocos de madeira para impressão da Índia. E ao lado, a técnica japonesa chamada ‘shibori’, enfeitado com nozinhos de linha, marcando as áreas que não serão afetadas pelo tingimento.

Panos Sesc Bom Retiro

A escova de madeira é para pentear lã e algodão. E mais exemplos de tramas e trabalhos geométricos. Muita coisa da América Latina. Aliás, este marrom bordado, é arte indígena do Peru (etnia Shipibo) – o pano primeiro é estampado em preto para marcar os desenhos e depois enfeitado com bordados.

Panos Sesc Bom Retiro

Antes de ir embora, reparem nos painéis que foram colocados do lado de fora. São fotografias de bordados feitos em tecido, com frases que brincam com a palavra pano, como ‘dar pano para manga’ ou ‘por baixo dos panos’.

Panos Sesc Bom Retiro

Vai lá!
Exposição Panos – Usos e Costumes
Até 25 de maio
De terça a sexta, das 9h às 20h30
Sábados, das 10h às 18h30
Domingos e feriados, das 10h às 17h30
Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185
Telefone: (11) 3332-3600

25 nov 13
inspiração
Para conhecer: Antique Pattern Library
por Claudia

Antique Pattern Library

Levante a mão quem não conhecia o projeto online “Antique Pattern Library“?

Pra nós, que adoramos crafts, livros e coisas antigas, é um prato cheio! Foi uma nova-velha descoberta, tanto porque o site estreou em 2006 como pelo acervo que eles gerenciam. São livros, revistas, fascículos e materiais de referência de técnicas manuais como tricô, crochê e bordado de 1800 para cá.

O projeto é de uma ONG americana, de San Diego-Califórnia, chamada New Media Arts. Muita gente participa como voluntário doando e escaneando os livros e o material fica disponível para uso público, mas não permitem a comercialização do material.

Vale a pena xeretar. Tem bastante coisa legal, no mínimo vale como curiosidade. No final deste post, colocamos alguns links de livros que queremos ver com mais calma. Para pesquisar o catálogo, é possível ver os itens ordernados por técnica, data, língua e ordem alfabética.

Primeiro, algumas ressalvas:
. muitos livros não foram escaneados ainda, você vê a capa super legal, mas há uma mensagem avisando “to post”, “to publish” ou “to edit”, ou seja, tudo pendente.
. os livros disponíveis tem o ícone do Adobe PDF para clicar e fazer download.
. se aparecer uma mensagem pedindo senha, na seção de FAQ eles explicam que este erro pode ser por causa da versão do programa. Eles sugerem 1) atualizar e usar a mais recente e 2) salvar o arquivo no computador primeiro para depois abrir, mais infos aqui no FAQ.
. não vi nada em português, as línguas mais comuns são inglês e francês. Vi alguns em alemão e italiano.
. algumas técnicas são pouco comuns. Mas isso pode ser um ponto a favor, algo novo a se aprender!
. os termos e explicações são diferentes do que usamos hoje em dia. Tinha um material de tricô quase enigmático. Pelo jeito, mudamos nossa forma de ensinar.

Aproveitem a riqueza dos materiais e figuras e divirtam-se. Vocês vão ver que tem bastante material da marca de fios DMC – que aliás, graças a um dos livros, fiquei sabendo que é sigla para Dollfus-Mieg & Cie (Mulhouse-Belfort-Paris).

De ponto-cruz, achei esse livro muito bom. Deve ser dos anos 40 ou 50 e já era bem moderninho. Pra quem faz pixel art, as referências de estampas são bem interessantes. Os bonequinhos de camponeses são os avós dos bonequinhos do Breakfast Club ou da Garota de Rosa Choque.

Antique Pattern Library

Tem também muita coisa em bordado daqueles super tradicionais. Dos franceses mesmo, ou seja, pra beber direto da fonte! Páginas e mais páginas com desenhos, enfeitinhos, bordas e até ideias de nomes rococó para bordar no lencinho.

Antique Pattern Library

Gostamos também de monogramas. Alfabetos inteiros em várias “fontes”, além de instruções e dicas para criar o seu.

Antique Pattern Library

E no crochê, tem material de sobra. Pra quem curte doilies, as famosas toalhinhas redondas, tem um livro inglês só sobre este assunto! Aliás, mais uma descoberta: a escrita original da palavra era D’Oyley.

Antique Pattern Library

Como falamos, tem várias técnicas esquecidas ou pouco usadas, como essa de bordados Colbert. Mas como quase todos os livros são ilustrados e têm gráficos, os temas também podem ser usados para outras coisas mais fáceis. É só adaptar!

Antique Pattern Library

Nem tudo é secular. Tem uns materiais mais novinhos, já em cores, dos anos 50 para cá. Pirei em uns livros de ideias de crochê para decoração. Vejam que as maçãs estão na moda faz tempo!

Antique Pattern Library

E tem também revistas de moda, as precursoras da Elle e Vogue. A francesa Femme Elegante vinha recheada de modelitos ilustrados – fotos eram mais difíceis e caras, reservadas para a capa e olhe lá! Na mesma revista, roupas para mulheres e no final uma ou duas páginas de roupinhas para crianças. Vale também baixar as revistas e encartes de jornal para reparar nas propagandas, muito boas!

Antique Pattern Library

Alguns links que separamos para vocês:
. Abecedário e enfeites em ponto-cruz (italiano) – este é o livro da primeira foto deste post
. DMC ponto-cruz
. Doilies
. Bordado francês
. Ideias para decorar com crochet
. Flores para bordas de crochê
. Crinoline lady – como eles dizem, “o charme e estilo romântico da saia em babados”
. Femme Elegante
. ABC do tricô DMC
. ABC do crochê DMC
. ABC da costura DMC
. Alfabetos DMC

29 mai 13
casa craftinspiração
Era uma casa com muitos projetos craft
por Claudia

Casa da Flávia

Conheci melhor a Flávia Sakai neste final de semana. Ela foi uma das três vencedoras do concurso Decoramais da Pernambucanas, que participamos como um dos blogs parceiros. Digo conheci melhor, porque na verdade a gente já tinha se encontrado muito brevemente no ano passado – ela veio de Campinas especialmente para visitar o Bazar Ógente e deu um pulo no stand do Superziper.

No sábado, foi minha vez de visitar a casa dela e encontrei várias coisinhas feitas a mão! Ela é uma das nossas. Perguntei se podia fotografar para colocar aqui no blog e ela aceitou. Aqui estão as ideias fofas da Flávia, que merecem ser compartilhadas!

Casa da Flávia

Me encantei por este porta-guardanapos feito de Lego! Teria curtido de qualquer jeito, mas essas peças do kit de casinha pegaram fundo na minha alma. Eu passava horas brincando com essas portas e janelas de Lego. Quero fazer! Preciso ver onde as peças foram parar…

Casa da Flávia

E na cozinha também encontrei esse ímã de Lego. A inspiração veio do Superziper, lá de 2007!

Casa da Flávia

E esse mini-cavalete que se passa por porta-retratos? É todo feito com palitos de sorvete – eu contei uns 10. Mais um projeto que quero fazer, vai pra lista. Achei na net o passo-a-passo para quem quiser colocar em prática já! Ah… o cachorro da foto é o Marx, uma simpatia!

Casa da Flávia

Por último, a almofada da sala era enfeitada com uma árvore de botões! Muito delicada, fez o maior sucesso!

Por enquanto é isso, mas não acabou. Logo mais eu volto pra mostrar como ficou a transformação DIY que fiz no quarto da Flávia! Aguardem.

18 jan 13
inspiraçãooutros bla bla blas
“O mundo de Taizi Harada”, ou a saga de um livro
por Claudia

harada-taizi-artista

Tenho uma boa história que aconteceu em junho do ano passado para contar. É velha, não é atual, alguns vão dizer, mas acredito que boas histórias são atemporais e gostosas de ouvir a qualquer momento. Esta é mais uma daquelas que eu coleciono na pastinha de “coincidências” (pra quem curte, tem uma que contei aqui no Superziper em 2008). E, aliás, é uma boa para marcar esse meu retorno mais constante ao blog. O último ano foi puxado e escrevi pouco, menos do que eu esperava, mas foi o que deu.

Mas vamos lá! No finzinho de 2001, vi no SESI da Av. Paulista uma exposição de quadros tão bonita, mas tão bonita, que tive de voltar mais vezes. Primeiro fui sozinha, depois voltei com a Andrea e na terceira vez levei meus pais. Não cansava de ver as pinturas e reparar nos detalhes, parece que eu precisava estar lá de novo guiando as pessoas queridas e dizendo “e neste aqui, olha aquela menininha voltando feliz da escola para casa!” ou “você reparou nessa vovó trabalhando no quintal?”.

harada-detalhes

A exposição era uma coletânea de mais de cem quadros do pintor japonês Taizi Harada (em alguns lugares, a grafia aparece como Taiji, imagino que seja uma questão de transliteração). A maioria das pinturas eram cenas do Japão rural, mas também tinham algumas do Brasil. No ano anterior ele tinha passado alguns meses aqui no país e retratou alguns lugares como o Rio e Santos em suas telas. Ele compõe o cenário com mini-detalhes, pontilhando os campos, as árvores, os telhados. Olhando de perto, você vê cada lâmina de grama, todas as telhas, as folhas, os pontinhos de neve. Mas são paisagens amplas, com algum personagem em movimento lá no cantinho, fazendo parte da história e chamando a atenção para aquele universo isolado.

loja-doces-favorito

Gostei tanto que guardei com carinho o nome dele e um recorte de revista com a reprodução de uma das telas. Pendurei a imagem no meu quadro de cortiça como quem diz “um dia vou visitar o museu dele no Japão”. De vez em quando olhava o meu recorte e prestava atenção nos detalhes. Era a pintura de uma mulher em uma loja de doces, com suas bandejas de madeira expondo os produtos artesanais. Em volta, poucos enfeites, tudo funcional. Um quadro, um relógio, o papel e o barbante para embrulho.

Quando a Andrea foi para o Japão, tinha até pensado em pedir para ela me trazer um poster dele. Mas pesquisei na internet e achei pouquíssima coisa. Ele tem um museu em sua cidade natal, mas é afastado. Está em japonês e não encontrei o link para a lojinha. Então desencanei. Um dia, quem sabe, quando for para Tokyo, posso dar uma esticada até lá.

(efeito especial para passagem do tempo, anos e anos)

Junho de 2012, preparação para a Mega Artesanal. Nessa edição do evento, o Superziper cuidaria da decoração do quarto de costura da Casa da Mega (vídeo aqui). A Andrea e eu planejamos como imaginávamos o ambiente, desenhamos, rabiscamos e, por fim, fizemos uma listinha de coisas para comprar, preparar e trazer no dia da montagem da feira.

Eu tinha ficado de passar em um brechó para procurar umas roupas para colocar no manequim. Lembrei que na rua de baixo de onde mora tinha um, O Mascate chama. Sempre passava por lá, anos e anos, mas nunca tinha entrado.

Olhei as saias e blusas, procurei algo diferente. Empurrei cabides, mexi em algumas araras, mas estava com preguiça. A vendedora tentou ajudar, queria saber para o que era. Eu estava meio cansada, talvez fosse o calor ou fome. Então arrumei a bolsa no ombro e me virei para sair. No caminho tinha um um criado-mudo com livros empilhados. Movida por algum instinto, me abaixei para ver o que tinha lá e achei um livro do Taizi Harada. O livro tinha me encontrado, pedindo para ser levado para casa!

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Fiquei pasma. O livro era japonês, estava bem cuidado, um pouco empoeirado ok. Tinha algumas páginas marcadas com post-it, mas estava inteirinho. Entreguei o livro para a vendedora “hoje não vou levar roupas, só isso aqui”.

Contei a história muito por cima e depois de pagar, o dono do brechó que me atendeu no caixa, falou para eu levar comigo um trevo de quatro folhas que ele cultivava no canteirinho do lado de fora da loja.

FIM!

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Mas já que agora tenho o livro e não me canso de folheá-lo, posso também compartilhar com vocês algumas das pinturas. O título revela que são quadros inspirados em cem canções de ninar antigas. Mas todo o restante do livro está em japonês. Algumas imagens vem acompanhadas de partitura e das letras das músicas. Mas nenhuma indicação do que seria. Então só me resta olhar os desenhos como uma criança que não sabe ler e ficar tentando imaginar o que acontece em cada uma das páginas.

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Há também algumas poucas ilustrações, lindas por sinal (gamei nesses sapatinhos vermelhos com flores!). Mas a maioria são os quadros mesmo. Separei detalhes de alguns deles, com os personagens que tanto me encantam. Passeiam com cachorros, voltam para casa, se abaixam para pegar florzinhas no caminho, limpam a neve, brincam na água no verão. Aliás, em cada quadro as estações do ano são também um personagem. Me sinto viajando pelo Japão, em um trem lento e antigo, sentada na janela reparando nas pessoas do caminho…

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Tô cuidando bem do livro, viu? Coloquei em destaque na prateleira e ganhou um post aqui no Superziper!

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