18 out 14
inspiração
Referência: etiquetas de roupa na Anthropologie
por Claudia

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A Anthropologie é uma loja feminina de roupas e também de coisas para casa que tem nos EUA, Inglaterra e também na internet.

Não vou mentir pra vocês, é uma loja cara! Mas se tiver uma por perto, vale a pena entrar para conhecer e ver o que eles têm por lá. Sempre muito inspirador. Como diz um amigo, é um lugar para fazer “window shopping”, olhar e não necessariamente comprar.

Para entender melhor o espírito da loja, vale clicar nos dois posts que já escrevemos sobre o assunto em 2009 e 2011.

“Mas vale um terceiro post?”, vocês podem estar se perguntando. Digo que sim! Porque desta vez estive na loja de San Francisco com a missão específica de fotografar as etiquetas das roupas. Sendo uma loja multimarcas, achei muita coisa legal e diferente.

Detalhes tão legais a ponto de dar vontade de comprar a roupa só por causa da etiqueta – esta do envelope de carta me pegou em cheio!

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Vocês vão reparar que muitas das roupas são feitas na China, claro. O país é o primeiro no mundo em manufatura têxtil, seguido pela Índia. Acho difícil mudar isso. E não conheço a loja para julgar como contratam fornecedores e etc. Mas acho que usar etiquetas diferenciadas e muito bem trabalhadas ajuda a tirar um pouco o foco deste assunto.

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Etiquetas são itens promocionais e ajudam no marketing e comunicação do produto. Muitos dos exemplos aqui tem apliques de pespontos, costuras à màquina em pontos diferentes e coloridos, fontes de máquina de escrever, ilustrações fofas – quase beirando uma produção mais artesanal. Vê-se que investiram em design, está tudo muito bem pensado.

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Os materiais usados na confecção de etiquetas (base, tecido, impressão, aplique) eram diferenciados, alguns nunca vi no Brasil. De novo, parece ser uma área que está em constante desenvolvimento e em busca de novidades para chamar a atenção na loja e diferenciar as marcas. Gostei de muita coisa, principalmente 1) quando a etiqueta é costurada em uma base estampada que combina com o tecido 2) quando são costuradas com linha colorida e 3) quando tem um pingentinho de metal :) Ou seja, detalhezinhos que fazem diferença!

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A loja segue este estilo de “os detalhes fazem a diferença”. Tirei mais algumas fotos que não são de etiquetas, mas revelam mais um pouco desta mentalidade.

1. tag em papel com foto antiguinha para pendurar brincos e colares
2. colar de penas “manchado” com tinta dourada
3. bolso interno de calça jeans com tecido fofo
4. tag em papel para botão adicional
5. cinto de couro com poás (adorei e dá para copiar, vou fazer em casa!)
6. fita listrada nas costuras internas da jaqueta jeans
7. botão diferentão na calça estampada
8. costura zigzag com linha pink na camisa fina (e botão costurado com cor diferente)
9. echarpe de bolinhas irregulares, feitas com tinta prateada

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Último detalhe, o “organizador de fila” que estava perto do caixa era feito com tranças de tecidos variados. Pirei! Quero fazer algo parecido para minha casa. Não para organizar filas, haha, mas com alguma outra finalidade. Ficou muito bonito.

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Fico feliz que tenha conseguido tirar todas essas fotos sem nenhum problema, aproveitem as ideias e inspirações!

12 ago 14
craft tourinspiração
Peru: tradição em tingimento natural
por Claudia

Peru: tingimento

Acabei de voltar de uma curta viagem ao Peru, mais precisamente Cusco e arredores, e fiquei encantada de ter tido a oportunidade de ver os bastidores da produção artesanal. O povoado de Chinchero fica na região do Valle Sagrado. Em um dos passeios às ruínas incas, houve uma parada no pequeno Centro Têxtil Urpi, para conhecer um pouco mais sobre o tingimento natural, técnicas e ferramentas de tecelagem tradicional ainda utilizados pelas mulheres do local.

Atenção: este post contém muitas fotos… Foi difícil fazer uma seleção mais enxuta ;-)

Peru: tingimento

O local é pequeno e bem turístico, uma estrutura pronta para receber grupos de visitantes. Mas tudo muito organizado e bem ajeitado. Eles sabem o que mostrar e o que as pessoas querem ver. Tinha até lhamas!

Peru: tingimento

Os turistas eram levados a este mini auditório bem rústico para ouvir as explicações sobre os processos de tingimento! E para quem precisava se acostumar com a altitude, o famoso chazinho de folhas de coca…

Peru: tingimento

A variedade de tonalidades e cores me impressionou. Na verdade, elas já chamam a atenção nos artesanatos típicos do Peru. Foi muito interessante ver como eram feitas.

Peru: tingimento

Antes de ir às cores, registrei mais duas partes importantes do processo:

1. lavagem da lã: a lã da tosa da lhama ou da alpaca precisa ser limpa antes de tudo. Eles usam o ‘gigantón’ (ou ‘zajtán’), a raiz de um cacto para ensaboar e tirar a gordura e sujeiras. Esta raiz também era usada para lavar os cabelos, também conhecida como ‘shampoo incaico’. Na foto ao lado, coador feito de palha.

Nota: alguns nomes são em castelhano, outros em quechua ou aymara. A escrita tem várias formas, então vou atualizando este post conforme recebo informações mais precisas.

Peru: tingimento

2. mistura com minerais ou outros elementos: a tinta raramente é utilizada pura. Estes aditivos são usados para ajudar na fixação da cor, variar tonalidade e combinar propriedades químicas para atingir o resultado esperado. O limão misturado com a cochonilha suaviza os tons. Na foto do meio, sal da salina de Maras (também desta região).

Peru: tingimento

Mas vamos às cores e de onde vem, que é o que mais interessa.

VERMELHO: A principal cor é o vermelho. Ele vem da cochonilha e rende vários tons e variantes – dizem que até 18!

Peru: tingimento

A cochonilha é um inseto parasita que se alimenta da seiva dos cactos da região. Ou seja, é uma praga! Mas eles descobriram que ele produz um composto de tom avermelhado perfeito para tingimento! Aqui no meu quintal já vi este tipo de pulgão, mas não tão gordos e nem tão abundantes em tinta.

Peru: tingimento

Vocês não imaginam o que uma “bolinha” dessas estourada na mão faz! As meninas comentam que usam nos lábios como batom. E demora para sair. Eu manchei os dedos e no dia seguinte ainda estava rosa.

Peru: tingimento

AZUL:este tom vem da ‘flor de hancas’.

Peru: tingimento

LILÁS: folhas secas de awaipili.

Peru: tingimento

ROXO: água de fervura do milho roxo, que eles chamam de maíz morada. Este milho é muito usado para fazer a bebida típica, ‘chicha morada’.

Peru: tingimento

VERDE: folhas de chilca.

Peru: tingimento

VERDE ACINZENTADO: folhas de kinsacucho, também conhecido como trés esquinas.

Peru: tingimento natural

VERDE CLARO: folhas de eucalipto.

Peru: tingimento

AMARELO: flor de retama.

Peru: tingimento

OCRE: flor de coli.

Peru: tingimento

LARANJA: cortiça de kehuniya.

Peru: tingimento

TERRA: vem do musgo que nasce em pedras, eles chamam de ‘barba de las piedras’.

Peru: tingimento

Mais alguns detalhes: coco de lhama para ajudar no fogo, artefato de madeira para fiar lã e canecas e utensílios usados no tingimento.

Peru: tingimento

Neste local, é possível também acompanhar o processo de como as artesãs preparam as tramas e tecem fitas, tapetes e mantas. As cores e os desenhos têm significado e contam histórias. Elas sabem tudo de cabeça e brincaram que não usam revistas ou receitas.

Peru: tingimento

No final, é possível comprar produtos feitos pela comunidade. Há bancas com malhas, tapetes, bolsas, luvas, gorros, cachecóis e pequenas lembrancinhas. Não aceite o primeiro preço que disserem – lá, eles esperam que você negocie e peça desconto. Comigo foi assim…

Peru: tingimento

 

Na tentativa de escrever os nomes das plantas corretamente (não confiem 100%), encontrei na internet alguns artigos bem interessantes e bem mais completos sobre tingimento natural. A quem se interessar, recomendo (conteúdo em espanhol):

. Fórum sobre pigmentos naturais para fibras

. Documento ‘Tintes Naturales’, da Escola de Belas Artes do Peru

. Plantas tintoreas, em Etnobotánica

. Tinturas naturales

Para os interessados em conhecer o pueblo de Chinchero, o mais fácil é visitar quando estiver em Cusco. Este local costuma ser parada de quem faz tour pelo Valle Sagrado. De Cusco, é cerca de meia hora de ônibus ou van. Você pode organizar visita através de uma das mais de 1.000 agências de turismo de Cusco ou tentar ir sozinho usando transporte local. Em Cusco, peça informações sobre as vans (as nossas conhecidas ‘lotações’) para Chinchero, um distrito da provincía de Urubamba.

21 abr 14
craft tourinspiração
Cartazes de papelão, you can do it!
por Claudia

Sports Basement

Estava em San Francisco e, por uma feliz coincidência, acabei conhecendo a loja de esportes Sports Basement. Precisava comprar uma peça para a minha bicicleta durante a viagem, mas nas lojas que conhecia não encontrei. Recomendaram que eu fosse até esta – era mais longe, mas eu deveria encontrar lá. Apesar de não ter conseguido, acabei descobrindo uma loja nova com uma ótima vibe. Fica no bairro de Soma (South of Market), uma área meio industrial, com galpões. Esta loja não foge do padrão do local, exceto por um detalhe. Toda a comunicação visual é feita a mão. Todos os cartazes (e são muitos) são de papelão, desenhados e informais.

Olhem que legal os cartazes de ‘fitting rooms’ (vestiários) e perto do elevador explicando o que há em cada andar!

Sports Basement

Nem imaginava que uma loja de fanáticos por esportes, aventuras e atividades ao ar livre pudesse ser tão craft.

Sports Basement

Logo que entrei já senti o clima: cachorros são bem-vindos e a bike você pode amarrar lá dentro.

Sports Basement

Mas o melhor é a maquete que fizeram da loja em tamanho gigante, tudo em papel. Me lembrou de dois diretores de cinema que adoro: Michel Gondry e as esculturas de papel do Science of Sleep (até falamos disso no Superziper) e Wes Andersen com as maquetes em corte transversal do submarino Belafonte de Steve Zissou (mais uma foto do cenário aqui!), do trem de Darjeeling e da casa dos Tenembaums. Olhem a versão anderson-gondy-esca da loja!

Sports Basement

Tirei muita foto, praticamente até a bateria do celular acabar, mas valeu a pena!

Sports Basement

Estas aqui estão mais rebuscadas, os desenhos das frutas foram feitos em canetinha:

Sports Basement

Além de um toque de humor, os cartazes também tem a função de explicar. Se você vende algo complexo e que tem uma história, vale a pena explicar. A gente que costuma participar de bazar (o Ógente de Dia das Mães vem aí!!) sabe muito bem disso. Nem sempre as pessoas perguntam, mas elas gostam de saber mais e de leitura “self-service” :) Fica a fica.

Sports Basement

Outra dica boa para quem vende em loja ou participa de bazares são estas daqui. Desconto para quem curtir a página no Facebook e caixa para deixar cartões de visita ou dados para receber emails. Vale um caderninho! Lá nos EUA essas coisas são bem comuns!

Sports Basement

Um mural de recados para avisos da comunidade também são sempre bem-vindos e fazem o maior sucesso. Este aí tinha tanta demanda que tiveram de organizar por assuntos…

Sports Basement

Antes de ir embora, mais duas coisas bem sacadas. Um banco para sentar feito com esquis abandonados. E um mural (mais um!) para as pessoas deixarem os números de participação em corridas.

Sports Basement

Na hora de pagar, acharam que tinha acabado? Mais cartazes. Tanto para organizar a direção e lugar da fila do caixa, como para assinar a newsletter, pagar, etc.

Sports Basement

Não sei se todas as lojas da rede são assim ou se foi só esta unidade em San Francisco. Só sei que adorei e achei muito inspirador!

O site da marca é www.sportsbasement.com

10 abr 14
inspiração
Superziper visita: Exposição Panos, Sesc Bom Retiro
por Claudia

Panos Sesc Bom Retiro

Domingo dei um pulo no Sesc Bom Retiro e aproveitei para conferir a exposição ‘Panos, usos e costumes’, que estreou recentemente por lá. É uma exposição que tem de tudo um pouco. Imagina quanto assunto o tema ‘panos’ pode render… Então quem organizou optou por mostrar como eles são importantes na história da humanidade e como estão presentes entre nós, apesar de todas as modernidades do dia a dia. Aliás, o fato de ter sido organizada na unidade do Bom Retiro é proposital, bairro de São Paulo historicamente conhecido pelas confecções.

Fotografei o que mais gostei para mostrar aqui. Eu sugeriria o deslocamento não apenas pela exposição, mas para conhecer o Sesc Bom Retiro, que é relativamente novo (inaugurou em agosto de 2011). Vale conferir a agenda de shows e teatro. Se interessar alguma coisa, já aproveite o passeio para ver a exposição antes do evento, algo assim.

Reparem que a exposição se espalha pelos vários andares da unidade e ocupam os vários espaços. Tem tecido até no teto, me lembrou tendas de beduínos. Como o tema são usos e costumes, há um setor que exibe os panos como vestimenta.

Panos Sesc Bom Retiro

Mas eu gostei mesmo deles na cabeça – os arranjos e amarrações são lindos e complexos. O azul, meu favorito, é um lenço dos anos 1940. O outro é um pano de Chichicastenango (Guatemala).

Panos Sesc Bom Retiro

Nos corredores, eles fizeram essa brincadeira sensorial, de passar por um degradê de cores e texturas. Não esqueceram do varal. Quem nunca pendurou um pano assim? No catálogo, o Sesc diz que é uma exposição interativa. Além do telão na sala dos manequins, na biblioteca há uma mesa computadorizada para você ler mais. Mas são só alguns parágrafos. Eu particularmente anotei os temas que mais me interessaram e vou procurar na internet.

Panos Sesc Bom Retiro

Isso aqui foi uma das coisas que mais gostei de ver – a obtenção do fio. Primeiro com a lã. Lindas texturas e variações. Um fio industrializado fica até sem graça perto de um assim, todo irregular.

Panos Sesc Bom Retiro

Mas foi a seda que me impressionou. Nunca tinha visto ao vivo o casulo do bicho da seda e nem o fio assim tão fininho. As fotos mostram a delicadeza do material.

Panos Sesc Bom Retiro

Esta cartela de tingimento natural também é inspiradora. Para quem faz em casa, fica a dica das misturas.

Panos Sesc Bom Retiro

As etapas da trama, no tear, fazem pensar… e dar valor ao trabalho (e criatividade) de quem faz pano manualmente!

Panos Sesc Bom Retiro

Na seção de enfeites, blocos de madeira para impressão da Índia. E ao lado, a técnica japonesa chamada ‘shibori’, enfeitado com nozinhos de linha, marcando as áreas que não serão afetadas pelo tingimento.

Panos Sesc Bom Retiro

A escova de madeira é para pentear lã e algodão. E mais exemplos de tramas e trabalhos geométricos. Muita coisa da América Latina. Aliás, este marrom bordado, é arte indígena do Peru (etnia Shipibo) – o pano primeiro é estampado em preto para marcar os desenhos e depois enfeitado com bordados.

Panos Sesc Bom Retiro

Antes de ir embora, reparem nos painéis que foram colocados do lado de fora. São fotografias de bordados feitos em tecido, com frases que brincam com a palavra pano, como ‘dar pano para manga’ ou ‘por baixo dos panos’.

Panos Sesc Bom Retiro

Vai lá!
Exposição Panos – Usos e Costumes
Até 25 de maio
De terça a sexta, das 9h às 20h30
Sábados, das 10h às 18h30
Domingos e feriados, das 10h às 17h30
Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185
Telefone: (11) 3332-3600

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