10 dez 14
inspiração
Crafts de outros tempos
por Claudia

Crafts de outros tempos

Do mesmo jeito que quando a gente viaja, está aprendendo por imersão uma nova cultura do local, eu sinto que folhear e ler livros e revistas antigos é ser transportada para uma outra época, fazer uma viagem no tempo!

Sempre que vejo um livro, revista e até manual de crafts de outros tempos, não resisto e começo a viajar. Fico pensando em quem eram aquelas pessoas. Não apenas olhar as fotos e reparar nas roupas, cabelo e maquiagem. Mas porque aqueles projetos e materiais eram o que as pessoas queriam aprender e fazer.

Separei quatro materiais e fotografei minhas páginas favoritas. Vamos vendê-los agora no bazar Ógente, neste fim de semana (infos aqui). Queria deixar registrado este passado na internet :)

Começando pelo mais antigo!

Crafts de outros tempos

Este é o “Álbum de Crochet da Casa Midões”, de Lisboa, Portugal. Acredito que seja do final dos anos 50. É uma raridade e felizmente está bem conservada, com pouquíssimos amassados e as páginas todas inteiras! Com mais de 100 motivos para inspirar, este era o Pinterest em preto e branco daquela época. Golas, barras para toalhas, centros de mesa, rendas, toalhas. Mas tudo para quem tinha muito tempo e paciência, para crocheteiras avançadas.

Adorei a gola de cerejinha (daria pra usar hoje numa boa!) e as bordas de toalhinhas super delicadas e trabalhadas.

No final, algumas receitas detalhadas:

Crafts de outros tempos

Apenas uns 8 ou 10 projetos ganhavam o luxo de ser traduzidos em receitas e explicações. Pelos pontos já dá para notar a quem a publicação se destinava. Nada de iniciantes, afinal as meninas aprendiam crochê na escola, né? Quando viravam adultas, era este tipo de toalhinha que elas iriam fazer…

Próximo: um livro japonês dos anos 70, já com impressão colorida, tanto na capa como nas páginas internas – um luxo!

Crafts de outros tempos

Este era feito para as sortudas que tinham uma máquina de tricô Memo-Matic da Singer. Ele vinha com cartões perfurados de padrões para repetir em casa. São páginas e mais páginas de desenhos e ideias para criar peças em tricô. No final, ainda tem gráficos no estilo ponto-cruz, de inspiração para criar estampas próprias. Reflexo de uma época em que as pessoas faziam as próprias roupas, mas agora já com a ajuda da tecnologia, que acelerava processos manuais.

Crafts de outros tempos

Sente só a riqueza dos detalhes! Combinações de cores e desenhos. A cada folha, doze referências. E o livro tem mais de 300 páginas. Calcule quantas ideias… Mesmo sem ter uma Memo-Matic, este livro é perfeito para quem precisa de referências e inspiração, muito legal, um achado! Nunca tinha visto nada parecido.

Agora um em português! O Guia de Crochê da Editora Abril, do comecinho dos anos 80:

Crafts de outros tempos

Pequeno e compacto, mostra um novo tempo, onde o crochê já era uma arte específica, que nem todas as meninas dominavam. Editoras precisavam retomar os ensinamentos. A capa já mostra a chegada do conceito “faça-você-mesmo”. É um outro apelo, não?

Este sim ensina o crochê desde o começo, é educativo. O material original pertencia a um guia italiano de 1978 e foi traduzido e editado em português em 1981. Com ele, aprendia-se os pontos básicos, aumentos, diminuições, acabamentos. E depois avançava para pontos diferentes (como esse de cobertorzinho da foto) e, claro, projetos para aplicar o conhecimento. Roupas, acessórios, centros de mesa, toaljas, colchas e objetos. Adorei o pegador em forma de tomate – uma das recomendações de trabalhos fáceis e ideias práticas.

Em detalhe, duas sacolas de compras que deixam qualquer ecobag no chinelo :)

Crafts de outros tempos

Por último, os fascículos vendidos em banca “Lãs e Linhas”, selecionados pela Agulhas de Ouro, da Editora Abril.

Crafts de outros tempos

Estes já estão mais próximos do que temos hoje em dia. Bem, mas os tipos de fios usados, as cores, as roupas, os cabelos e as maquiagens denunciam a época, hehe.

A folha da revista, dobrada ao meio, virava uma maxificha – com foto de inspiração na frente e detalhes da receita no verso.

Crafts de outros tempos

Aqui, as instruções são bem mais detalhadas, constam medidas em centímetros de todas as partes. É um novo estilo e uma nova linguagem.

O legal é que com o lote de 32 números que conseguimos, vieram algumas partes da revista, com mais projetos. Vejam que interessante o texto, reflete bem isso…

Crafts de outros tempos

Reproduzo aqui: “Artisticamente tricotadas, as aplicações e a toalha de mesa trazem um sopro de nostalgia. Lembram os tempos da vovó, quando os trabalhos eram feitos pacientemente com linhas e agulhas muito finas”.

Isso me lembra o filme “Meia-noite em Paris”, do Woody Allen, só que ao contrário. Em cada volta ao passado, os personagens já achavam que estavam vivendo no máximo da loucura e da velocidade. Nesta revista, nos anos 80, estes projetos já eram velhos temas da vovó…

E para mostrar que a moda vai e volta, deixo para acabar, uma página com um tapete cheio de grafismos inspirado na arte mexicana, lindo!

Crafts de outros tempos

18 out 14
inspiração
Referência: etiquetas de roupa na Anthropologie
por Claudia

Etiquetas favoritas

A Anthropologie é uma loja feminina de roupas e também de coisas para casa que tem nos EUA, Inglaterra e também na internet.

Não vou mentir pra vocês, é uma loja cara! Mas se tiver uma por perto, vale a pena entrar para conhecer e ver o que eles têm por lá. Sempre muito inspirador. Como diz um amigo, é um lugar para fazer “window shopping”, olhar e não necessariamente comprar.

Para entender melhor o espírito da loja, vale clicar nos dois posts que já escrevemos sobre o assunto em 2009 e 2011.

“Mas vale um terceiro post?”, vocês podem estar se perguntando. Digo que sim! Porque desta vez estive na loja de San Francisco com a missão específica de fotografar as etiquetas das roupas. Sendo uma loja multimarcas, achei muita coisa legal e diferente.

Detalhes tão legais a ponto de dar vontade de comprar a roupa só por causa da etiqueta – esta do envelope de carta me pegou em cheio!

Etiquetas favoritas

Vocês vão reparar que muitas das roupas são feitas na China, claro. O país é o primeiro no mundo em manufatura têxtil, seguido pela Índia. Acho difícil mudar isso. E não conheço a loja para julgar como contratam fornecedores e etc. Mas acho que usar etiquetas diferenciadas e muito bem trabalhadas ajuda a tirar um pouco o foco deste assunto.

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Etiquetas favoritas

Etiquetas são itens promocionais e ajudam no marketing e comunicação do produto. Muitos dos exemplos aqui tem apliques de pespontos, costuras à màquina em pontos diferentes e coloridos, fontes de máquina de escrever, ilustrações fofas – quase beirando uma produção mais artesanal. Vê-se que investiram em design, está tudo muito bem pensado.

Etiquetas favoritas

Os materiais usados na confecção de etiquetas (base, tecido, impressão, aplique) eram diferenciados, alguns nunca vi no Brasil. De novo, parece ser uma área que está em constante desenvolvimento e em busca de novidades para chamar a atenção na loja e diferenciar as marcas. Gostei de muita coisa, principalmente 1) quando a etiqueta é costurada em uma base estampada que combina com o tecido 2) quando são costuradas com linha colorida e 3) quando tem um pingentinho de metal :) Ou seja, detalhezinhos que fazem diferença!

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A loja segue este estilo de “os detalhes fazem a diferença”. Tirei mais algumas fotos que não são de etiquetas, mas revelam mais um pouco desta mentalidade.

1. tag em papel com foto antiguinha para pendurar brincos e colares
2. colar de penas “manchado” com tinta dourada
3. bolso interno de calça jeans com tecido fofo
4. tag em papel para botão adicional
5. cinto de couro com poás (adorei e dá para copiar, vou fazer em casa!)
6. fita listrada nas costuras internas da jaqueta jeans
7. botão diferentão na calça estampada
8. costura zigzag com linha pink na camisa fina (e botão costurado com cor diferente)
9. echarpe de bolinhas irregulares, feitas com tinta prateada

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Último detalhe, o “organizador de fila” que estava perto do caixa era feito com tranças de tecidos variados. Pirei! Quero fazer algo parecido para minha casa. Não para organizar filas, haha, mas com alguma outra finalidade. Ficou muito bonito.

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Fico feliz que tenha conseguido tirar todas essas fotos sem nenhum problema, aproveitem as ideias e inspirações!

12 ago 14
craft tourinspiração
Peru: tradição em tingimento natural
por Claudia

Peru: tingimento

Acabei de voltar de uma curta viagem ao Peru, mais precisamente Cusco e arredores, e fiquei encantada de ter tido a oportunidade de ver os bastidores da produção artesanal. O povoado de Chinchero fica na região do Valle Sagrado. Em um dos passeios às ruínas incas, houve uma parada no pequeno Centro Têxtil Urpi, para conhecer um pouco mais sobre o tingimento natural, técnicas e ferramentas de tecelagem tradicional ainda utilizados pelas mulheres do local.

Atenção: este post contém muitas fotos… Foi difícil fazer uma seleção mais enxuta ;-)

Peru: tingimento

O local é pequeno e bem turístico, uma estrutura pronta para receber grupos de visitantes. Mas tudo muito organizado e bem ajeitado. Eles sabem o que mostrar e o que as pessoas querem ver. Tinha até lhamas!

Peru: tingimento

Os turistas eram levados a este mini auditório bem rústico para ouvir as explicações sobre os processos de tingimento! E para quem precisava se acostumar com a altitude, o famoso chazinho de folhas de coca…

Peru: tingimento

A variedade de tonalidades e cores me impressionou. Na verdade, elas já chamam a atenção nos artesanatos típicos do Peru. Foi muito interessante ver como eram feitas.

Peru: tingimento

Antes de ir às cores, registrei mais duas partes importantes do processo:

1. lavagem da lã: a lã da tosa da lhama ou da alpaca precisa ser limpa antes de tudo. Eles usam o ‘gigantón’ (ou ‘zajtán’), a raiz de um cacto para ensaboar e tirar a gordura e sujeiras. Esta raiz também era usada para lavar os cabelos, também conhecida como ‘shampoo incaico’. Na foto ao lado, coador feito de palha.

Nota: alguns nomes são em castelhano, outros em quechua ou aymara. A escrita tem várias formas, então vou atualizando este post conforme recebo informações mais precisas.

Peru: tingimento

2. mistura com minerais ou outros elementos: a tinta raramente é utilizada pura. Estes aditivos são usados para ajudar na fixação da cor, variar tonalidade e combinar propriedades químicas para atingir o resultado esperado. O limão misturado com a cochonilha suaviza os tons. Na foto do meio, sal da salina de Maras (também desta região).

Peru: tingimento

Mas vamos às cores e de onde vem, que é o que mais interessa.

VERMELHO: A principal cor é o vermelho. Ele vem da cochonilha e rende vários tons e variantes – dizem que até 18!

Peru: tingimento

A cochonilha é um inseto parasita que se alimenta da seiva dos cactos da região. Ou seja, é uma praga! Mas eles descobriram que ele produz um composto de tom avermelhado perfeito para tingimento! Aqui no meu quintal já vi este tipo de pulgão, mas não tão gordos e nem tão abundantes em tinta.

Peru: tingimento

Vocês não imaginam o que uma “bolinha” dessas estourada na mão faz! As meninas comentam que usam nos lábios como batom. E demora para sair. Eu manchei os dedos e no dia seguinte ainda estava rosa.

Peru: tingimento

AZUL:este tom vem da ‘flor de hancas’.

Peru: tingimento

LILÁS: folhas secas de awaipili.

Peru: tingimento

ROXO: água de fervura do milho roxo, que eles chamam de maíz morada. Este milho é muito usado para fazer a bebida típica, ‘chicha morada’.

Peru: tingimento

VERDE: folhas de chilca.

Peru: tingimento

VERDE ACINZENTADO: folhas de kinsacucho, também conhecido como trés esquinas.

Peru: tingimento natural

VERDE CLARO: folhas de eucalipto.

Peru: tingimento

AMARELO: flor de retama.

Peru: tingimento

OCRE: flor de coli.

Peru: tingimento

LARANJA: cortiça de kehuniya.

Peru: tingimento

TERRA: vem do musgo que nasce em pedras, eles chamam de ‘barba de las piedras’.

Peru: tingimento

Mais alguns detalhes: coco de lhama para ajudar no fogo, artefato de madeira para fiar lã e canecas e utensílios usados no tingimento.

Peru: tingimento

Neste local, é possível também acompanhar o processo de como as artesãs preparam as tramas e tecem fitas, tapetes e mantas. As cores e os desenhos têm significado e contam histórias. Elas sabem tudo de cabeça e brincaram que não usam revistas ou receitas.

Peru: tingimento

No final, é possível comprar produtos feitos pela comunidade. Há bancas com malhas, tapetes, bolsas, luvas, gorros, cachecóis e pequenas lembrancinhas. Não aceite o primeiro preço que disserem – lá, eles esperam que você negocie e peça desconto. Comigo foi assim…

Peru: tingimento

 

Na tentativa de escrever os nomes das plantas corretamente (não confiem 100%), encontrei na internet alguns artigos bem interessantes e bem mais completos sobre tingimento natural. A quem se interessar, recomendo (conteúdo em espanhol):

. Fórum sobre pigmentos naturais para fibras

. Documento ‘Tintes Naturales’, da Escola de Belas Artes do Peru

. Plantas tintoreas, em Etnobotánica

. Tinturas naturales

Para os interessados em conhecer o pueblo de Chinchero, o mais fácil é visitar quando estiver em Cusco. Este local costuma ser parada de quem faz tour pelo Valle Sagrado. De Cusco, é cerca de meia hora de ônibus ou van. Você pode organizar visita através de uma das mais de 1.000 agências de turismo de Cusco ou tentar ir sozinho usando transporte local. Em Cusco, peça informações sobre as vans (as nossas conhecidas ‘lotações’) para Chinchero, um distrito da provincía de Urubamba.

21 abr 14
craft tourinspiração
Cartazes de papelão, you can do it!
por Claudia

Sports Basement

Estava em San Francisco e, por uma feliz coincidência, acabei conhecendo a loja de esportes Sports Basement. Precisava comprar uma peça para a minha bicicleta durante a viagem, mas nas lojas que conhecia não encontrei. Recomendaram que eu fosse até esta – era mais longe, mas eu deveria encontrar lá. Apesar de não ter conseguido, acabei descobrindo uma loja nova com uma ótima vibe. Fica no bairro de Soma (South of Market), uma área meio industrial, com galpões. Esta loja não foge do padrão do local, exceto por um detalhe. Toda a comunicação visual é feita a mão. Todos os cartazes (e são muitos) são de papelão, desenhados e informais.

Olhem que legal os cartazes de ‘fitting rooms’ (vestiários) e perto do elevador explicando o que há em cada andar!

Sports Basement

Nem imaginava que uma loja de fanáticos por esportes, aventuras e atividades ao ar livre pudesse ser tão craft.

Sports Basement

Logo que entrei já senti o clima: cachorros são bem-vindos e a bike você pode amarrar lá dentro.

Sports Basement

Mas o melhor é a maquete que fizeram da loja em tamanho gigante, tudo em papel. Me lembrou de dois diretores de cinema que adoro: Michel Gondry e as esculturas de papel do Science of Sleep (até falamos disso no Superziper) e Wes Andersen com as maquetes em corte transversal do submarino Belafonte de Steve Zissou (mais uma foto do cenário aqui!), do trem de Darjeeling e da casa dos Tenembaums. Olhem a versão anderson-gondy-esca da loja!

Sports Basement

Tirei muita foto, praticamente até a bateria do celular acabar, mas valeu a pena!

Sports Basement

Estas aqui estão mais rebuscadas, os desenhos das frutas foram feitos em canetinha:

Sports Basement

Além de um toque de humor, os cartazes também tem a função de explicar. Se você vende algo complexo e que tem uma história, vale a pena explicar. A gente que costuma participar de bazar (o Ógente de Dia das Mães vem aí!!) sabe muito bem disso. Nem sempre as pessoas perguntam, mas elas gostam de saber mais e de leitura “self-service” :) Fica a fica.

Sports Basement

Outra dica boa para quem vende em loja ou participa de bazares são estas daqui. Desconto para quem curtir a página no Facebook e caixa para deixar cartões de visita ou dados para receber emails. Vale um caderninho! Lá nos EUA essas coisas são bem comuns!

Sports Basement

Um mural de recados para avisos da comunidade também são sempre bem-vindos e fazem o maior sucesso. Este aí tinha tanta demanda que tiveram de organizar por assuntos…

Sports Basement

Antes de ir embora, mais duas coisas bem sacadas. Um banco para sentar feito com esquis abandonados. E um mural (mais um!) para as pessoas deixarem os números de participação em corridas.

Sports Basement

Na hora de pagar, acharam que tinha acabado? Mais cartazes. Tanto para organizar a direção e lugar da fila do caixa, como para assinar a newsletter, pagar, etc.

Sports Basement

Não sei se todas as lojas da rede são assim ou se foi só esta unidade em San Francisco. Só sei que adorei e achei muito inspirador!

O site da marca é www.sportsbasement.com

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