23 mar 16
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De olho nas tendências: Minimalismo
por Andrea

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(Plantas de papel da crafter norte-americana Corrie Beth)

Estamos sempre de olho nas novidades do craft tanto aqui no Brasil como mundo afora. Atualmente não temos conseguido viajar tanto como fazíamos antigamente (bons tempos aqueles!) mas em compensação, contamos com uma boa lista de blogs, perfis, feiras e revistas para acompanhar de perto o que os crafters mais criativos andam produzindo de bacana. Ligamos o radar craft e, quando vemos um estilo ou elemento sendo repetido várias vezes, ele apita! Vem aí uma tendência que vale a pena ficar de olho! Ultimamente nosso radar tem apitado muito. Por isso resolvemos colocar nossos achados na roda e montar este especial para compartilhar tudo com vocês.

Para este primeiro post do especial escolhemos uma tendência bem marcante: o minimalismo.

O minimalismo nos crafts tem aparecido não é de hoje mas nos últimos anos. Aparece nas produções de design limpo, linhas retas, na escolha de poucas cores, nas formas geométricas e economia de elementos. Nada de adornos desnecessários, nada de enfeites, firulas e frufrus. Os tecidos são na sua maioria sólidos e aparecem em blocos de cores, sem estampas. Lembra do ditado “menos é mais”, “back to the basics”? É exatamente isso!

Mas não ache que os trabalhos minimalistas com simplórios. Geralmente os materiais são de qualidade e cuidadosamente escolhidos, os detalhes são marcantes e as cores vistosas. Um ótimo acabamento é essencial. Vamos a alguns exemplos:

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Já conhecem as cestas da crafter Australiana Gemma Patford? São feitas com cordas de algodão, primeiramente pintadas a mão e depois costuradas. Além de produzir, ela também dá oficinas onde ensina a fazer cestas e bolsas moldadas – acredite se quiser, é tudo costurado à máquina. Os materiais usados são muito simples mas o conceito e a execução causam o efeito uau. Um craft no melhor estilo, por que não pensei nisso antes?

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Outros bons exemplos são os projetos do blog Purl Bee, uma loja de materiais em NY. Eles só usam tecidos de fibra natural como linho, lã e algodão. E colocam pitadas de cores flúor aqui e acolá. Seu estilo minimalista chic sempre nos inspira muito!

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No tricô vemos também o estilo clean ganhando espaço há algum tempo. A marca britânica Wool and the Gang sempre apostou na estética básica, com seus designs monocromáticos, feitos com agulhas largas e fios grossos. A técnica do tricô circular, que permite fazer peças sem costuras aparentes, também colabora para um acabamento limpo. Um tricô normcore!

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Na decoração DIY, como não podia faltar, muita coisa vem sendo feita seguindo o espírito low cost mas com grande efeito. A artista plástica Becci Orpin é craque em usar simples formas em papel recortado para decorar ambientes. Sem dúvida minimalista, mas sem abrir mão das cores – ela adora e usa muitas! Somos fãs dela, vale conferir o livro Find and Keep.

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Não é a toa que o patchwork moderno vem ganhando muitos adeptos nos últimos anos – na foto, trabalhos feitos com tecidos da coleção Denise Schmidt. Com desenhos geométricos sólidos, muitos brancos e espaços negativos, faz um contraponto interessante ao patchwork tradicional, aquele com tons outonais e sombreados. Acho que aqui no Brasil ainda temos dificuldade em comprar algodão nacional liso de cores interessantes. Geométricos então nem e fala. Tudo bem que todo mundo adora uma estampinha fofa mas fica a dica para os fabricantes investir em cartelas de cores de tecidos lisos! Para conhecer mais sobre o patchwork moderno visite o Modern Quilt Guild. 

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E no craft brasileiro também já encontramos bons exemplos. A marca Il Casalingo segue esta linha minimalista, com criações funcionais e limpas, muito vistosas e com materiais de fibras naturais. Lembram produtos antigos, de épocas que eram feitos para durar muito! No mundo do crochê, a Le Souffle cria pingentes, lustres e cestas com texturas pra lá de interessantes.

Tendências podem ser a bola da vez e é muito útil saber identificá-las. Seguí-las ou não, você decide. Mas vale sim usar as tendências a seu favor, sem deixar nunca de ser autêntico, individual.

Esta onda (ou será um tsunami?) minimalista não aparece só nos crafts. Ela faz parte de um movimento cultural mais amplo, que está ganhando bastante espaço na sociedade. Um exemplo? Nosso lifestyle também pode ser minimalista. Aqui mesmo no Brasil já estão pipocando ações incentivando um consumo e descarte mais consciente como o Um ano sem lixo, e o  Escambo Handcraft, que propõe que os artesãos se unam para promover a troca de material de artesanato ao invés da compra. Em geral, estamos consumindo com mais responsabilidade (ou pelo menos tentando) e isso se reflete também na nossa produção, nos materiais que usamos, nos espaços que habitamos.

O que acham desta corrente minimalista? Já notaram esta tendência por aí? Ela já se refletiu nos seus crafts ou na maneira que consome materiais para o seu ateliê?

07 mar 16
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Lançamento do nosso primeiro livro, com fotos!
por Andrea

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E depois de nove anos escrevendo aqui no Superziper, aconteceu! Lançamos um livro. Sim, um livro que representa um pouco do que é o blog, um pedacinho do Superziper para morar na sua estante. Fazer um livro, como podem imaginar, dá bastante trabalho mas, valeu muito a pena, afinal ver algo que não passava de uma ideia virar se materializar em um livro, folheá-lo, ver as fotos e textos que produzimos com tanto carinho, dá aquela sensação ótima de missão cumprida.

O “Manual Para Uma Vida Craft” é um livro com 200 páginas, com texto originais sobre este universo e muitas fotos, além de 20 novos projetos (tem costura, papel, crochê, madeira e muito mais) com passo-a-passo e moldes. Criamos o livro pensando em todo o público crafter – do novato que agora está chegando até o mais experiente. E quisemos incluir também informações úteis bem no estilo manual, para folhear, consultar e levar na bolsa. Tem endereços úteis (alô 25 de março!), dicas para comprar a primeira máquina de costura, filmes e pessoas inspiradoras do mundo craft. 

Para marcar o feito, sábado passado 27 de fevereiro rolou um evento de lançamento lá na Livraria Blooks do Shopping Frei Caneca. Como foi? O máximo! Muitos amigos queridos, nossas família e crafters ‘das antigas’ que começaram na amem época que a gente há 9 anos atrás. Foi muito bom rever todo mundo de uma vez só. Parecia uma festa!

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Chegamos, arrumamos nossa mesa e, de repente, uma fila enorme se formou no corredor da Livraria! Muita emoção! Achamos que não íamos dar conta de atender a todos mas conseguimos. Entre muitas pausas para dedicatórias, conversas e sorrisos.

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Separamos algumas fotinhos, o álbum completo está aqui:

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Para quem chegou cedo, servimos brownies deliciosos dos nossos amigos do The Brownie Shop.

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Onde comprar o livro do Superziper, Manual Para Uma Vida Craft?

Após o lançamento, a distribuição levou o livro para as principais livrarias físicas do país (na Martins Fontes da Paulista está na vitrine inclusive!). Para quem prefere, também é possível comprá-lo online nestes sites:

Panda Books
Livraria da Folha
Saraiva
Americanas
Amazon (por enquanto sob encomenda)

Ah, e para quem preferir esperar um pouco e comprar o livro diretamente conosco em São Paulo (com dedicatória e autógrafo!), em abril estaremos levando o livro na Feira Brasil Patchwork e também no Bazar Ógente.

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Se você foi e tirou fotos lá no dia do lançamento coloque no instagram com a hashtag #manualparaumavidacraft. Obrigada mais uma vez a toda a equipe da Editora Panda que acreditou no nosso projeto desde o início! E a todos que foram no lançamento, foi incrível e inesquecível.

PS: se tiver dois minutinhos, assista ao vídeo que mostra o making of do livro!

23 fev 16
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Manual para uma Vida Craft, o livro do Superziper!
por Claudia

Vem, gente!

Temos uma “super” novidade para anunciar. O primeiro livro do Superziper está saindo da gráfica e sendo distribuído para as principais livrarias do país!

“Manual para uma vida craft” foi escrito por nós em comemoração aos 9 anos do blog e está sendo publicado pela editora Panda Books.

Pensamos muito no que gostaríamos de ver publicado em papel, pensando em quem leria ou compraria o livro. Foi um desafio. Decidimos criar 20 projetos novos, que não estavam no site, com diversas dificuldades – do novo crafter a quem nos acompanha faz tempo. Mas não queríamos apenas um livro de passo-a-passo com fotos. Então fomos além e escrevemos vários textos explicando o movimento craft, como montar um espaço criativo, materiais para começar, como escolher a primeira máquina de costura e assim vai! Foi um longo (e delicioso) processo.

O vídeo abaixo mostra um pouco do making of e do que pensamos sobre o livro! Foi feito com muito carinho ♡ Para assistir e compartilhar!

Todos vocês que nos acompanham estão super convidados para o lançamento! Venham comemorar com a gente – será uma tarde inesquecível ♡

Sábado, 27 de Fevereiro de 2016
Das 17h às 20 horas
Livraria Blooks do Shopping Frei Caneca
Endereço: R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo, SP
Confirme sua presença no evento do Facebook!
Como chegar: link para Google Maps

O livro do Superziper

FAQ sobre a venda do livro:
♡ já está a venda online no site da Editora Panda www.pandabooks.com.br
♡ a partir de 27/2 na na Livraria Blooks, que é o dia do lançamento, com sessão de autógrafos :-)
♡ em seguida, será distribuído para as melhores livrarias de todo o Brasil. Leva uns dias pela logística de distribuição, mas chegarão!
♡ vamos atualizando o post conforme surjam novos pontos de venda

04 fev 16
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Experiência em uma feira de trocas
por Claudia

Escambo de materiais

As feiras baseadas em trocas estão voltando a pipocar pelas cidades. Já tinha ouvido falar das trocas de brinquedos, livros, vinis e roupas. Mas nesta semana participei de uma muito especial e com tema que muito me interessou. Achei que vocês iam gostar de saber mais sobre esta experiência, principalmente porque ela se chamava 1º Escambo de materiais para Artesanato. O encontro nasceu como um evento de Facebook e rapidinho viralizou. De repente, quase 2000 pessoas confirmaram presença na feira que rolaria no Parque da Água Branca. Pelo jeito, mais pessoas em SP têm a síndrome de comprar materiais e não usar – ou como dizia o convite, pessoas que sofrem do mal chamado “quero todas as cores de lã dessa loja” :-)

Escambo de materiais

Para quem nunca participou de um evento assim, o funcionamento é simples. Faça uma rapa nas suas coisas que estão paradas faz tempo sem uso – o momento é de desapego. No local, coloque um pano ou uma toalha no chão e exponha o que trouxe. Os outros convidados farão o mesmo.

Escambo de materiais

Para facilitar, você pode escrever em um papel na forma de itens o que trouxe e o que tem interesse de receber em troca. O evento começa e as pessoas circulam pelo local. Quando “der um match” entre tenho e quero, a troca pode começar!

Escambo de materiais

Flagra de um momento de troca: um bastidor de madeira por alguns metros de fita em ponto ajour.

E aí, vale ou não vale? Quem diz isso não somos nós que estamos do lado de fora… As trocas acontecem quando existe um acordo comum entre as partes. Se as duas pessoas ficam contentes, a troca acontece! Não é legal insistir e nem forçar a situação. Com educação e bom senso, a coisa flui!

Confesso que quando cheguei no parque, estava um pouco tensa. Será que tinha trazido as coisas certas? Era pouco ou muito? Alguém se interessaria? A experiência seria legal ou me estressaria?

Decidi ser mais low profile. Guardei o que trouxe na mochila dentro de um saco tipo zip transparente e circulei pelos participantes. Caminhei devagar, olhando o que cada um tinha trazido, o que escreviam no papel. Depois de ver tudo, voltei para o começo onde tinha visto algo que me interessava. E fiz minha primeira abordagem. Não sabia muito bem como começar, então eu simplesmente disse: “Gostei disso aqui. Tem alguma das minhas coisas que interessa a você?”. Mostrei meus materiais. A menina mexeu, analisou, pensou, escolheu uns carretéis e perguntou “posso trocar por isso?” . Eu topei e a primeira troca aconteceu!

Fiquei super feliz em conseguir algo que queria e seria útil por outra coisa que estava parada em casa, sem uso – mas que para a outra pessoa fazia todo sentido e completava a lista de materiais de um projeto por fazer! Que demais…

Me empolguei com essa equação. Conseguir algo que me interessava sem precisar pagar já é sensacional. Mas também curti muito ver a mesma emoção rolando na outra pessoa, do outro lado. As trocas não eram silenciosas, pelo contrário. Rolavam histórias de onde aqueles materiais tinham sido comprados, como foram usados, porque sobraram. A troca virava uma conversa. O valor numérico do bem perdia o sentido e surgia um envolvimento. Em nenhum momento senti uma pressão de desigualdade. No fundo, os dois lados ficavam satisfeitos em ver que suas coisas ganhariam utilidade e continuidade.

Um restinho de novelo de lã amarelo vai virar cabelo de boneca. Uma linha de crochê marrom que nunca usei vai ser usada por alguém experiente na técnica. As sobras de miçangas que pouco usei foram para uma menina que vendia colares e pulseiras. Outra ganhou uns potinhos de plástico vazios para guardar suas coisinhas. E assim o tempo foi passando…

Trocas triangulares também rolaram – essas são uma modalidade mais avançada haha! Foi assim: gostei dos novelos que uma moça tinha, mas ela não se interessou por nada do que eu trouxe. Minha amiga, que estava ao lado, ofereceu umas sianinhas. Ela curtiu e topou concretizar a troca. Então depois, eu ofereci algo do meu pacote para ela, que escolheu etiquetas de roupas. Troca feita, as três felizes!

Ou seja, o que vale é se ajudar. Tinham pessoas até doando materiais. Porque a ideia era fazer a energia circular. Não queriam voltar para casa com algo que já decidiram que não seria mais usado.

Outra coisa muito legal que acaba acontecendo naturalmente são trocas de experiências. Uma dica de como usar isso aqui, outra de como fazer aquilo ali. As conversas vão rolando, trocam-se contatos, Whatsapp, trocas já ficam combinadas para a próxima feira. Eu mesa já separei uns pedaços de bambu para uma garota, uns papeis de scrapbook para outra, e assim vai surgindo uma empolgação já para o próximo evento.

Escambo de materiais

A vibe estava ótima! Todo mundo entendeu o funcionamento e fez altas trocas, tudo na paz e sem brigas. Para a próxima vez, vou me inspirar nestas duas coisas que vi:

  • colocar minhas coisas em uma caixa. Desse jeito, ganho mobilidade – posso expor no chão ou passear mostrando o que tenho. E os materiais das trocas que concretizaram, guardar na mochila ou em uma sacola separada para não confundir.
  • levar algo para comer que possa ser compartilhado. Estas participantes, por exemplo, estavam oferecendo pedaços de bolo e sanduichinhos. Entre uma mordida e outra, engatamos uma conversa e descobrimos vários interesses em comum!
  • separar os materiais na véspera (não na última hora!). Vou também deixar uma caixa para ir juntando as coisas ao longo do mês para o próximo evento.

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A Natália Nogueira, uma das organizadoras, fez um ótimo trabalho antes, durante e depois do evento. Se você pensa em organizar algo parecido no seu bairro ou sua cidade, vale a pena se inspirar nas recomendações:

  • pense bem no tema – precisa ficar claro no título e descrição do evento. Neste caso, foram apenas materiais usados para fazer artesanato e manualidades, por exemplo tecidos, botões, lãs, linhas, revistas, papéis, miçangas, etc.
  • evento de troca não pode envolver dinheiro. As pessoas não devem levar produtos para venda!
  • sugira aos participantes levar papel e caneta para anotar os produtos que tem para trocar e os que tem interesse em receber. Uma etiqueta ou crachá de identificação é bom. Cartões de visitas para quem usa/tem também.
  • sacolas para juntar lixo e deixar o local limpo também não dá para esquecer!
  • sobras do evento,caso as pessoas não queiram levar de volta para casa, podem ser encaminhadas para doação de alguma instituição de caridade.

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No final, saldo mais do que positivo para mim! Não tirei foto dos itens que levei, mas estes são os que consegui arrematar e levar para casa. Dá para ver que eu garimpei materiais bem saudosistas, como as tintas de tecido Abaeté (quem lembra desse fecho de metal?), as fitas de cetim (parecem para sapatilha de balé!), os fios de rayon (acho que nem existem mais…) e a tabuada do Ronald (brinde quase pré-histórico do Mc Lanche Feliz). Tudo o que adoro!

Os organizadores pretendem repetir o evento uma vez por mês. O próximo já tem data marcada e acontecerá no dia 20 de fevereiro, no MIS – Museu da Imagem e do Som.

Para saber mais, acompanhe pela página do evento e do grupo:

Os comentários estão abertos para mais dicas sobre participação em feiras de trocas. E também para histórias de quem participou neste primeiro escambo handcraft.

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Veja também: