05 out 14
craft touroutros bla bla blas
Bazar, magazine ou armazém?
por Claudia

Casa Diaz, Lima, Peru

Não importa a classificação: bazar, armazém, magazine, loja de variedades… Vocês decidem ao final das fotos e do texto como a Casa Diaz, em Lima, no Peru, deve ser chamada.

Eu não conhecia e nem esperava passar por um lugar assim. Tudo começou graças à senhorinha simpática aí de baixo. Estava passeando pelas ruas do centro, perto do Congresso, com a máquina na mão, tirando foto de tudo, inclusive uma dela. Daí parei pra ver o que tanto ela olhava. Eram garrafas térmicas, muitas delas. Cheguei um pouco mais perto e achei que aquilo era uma loja de utilidades de cozinha. Mas logo a frente, em um balcão de madeira antigo, vi linhas e lãs. “Opa, preciso ver o que mais tem por aqui”, pensei comigo mesma.

E foi assim que começou minha aventura de 2 horas ou mais pela Casa Diaz, uma loja de variedades, que tem de tudo um pouco, e mais um pouco.

Casa Diaz, Lima, Peru

O slogan diz que são a loja com a maior variedade de produtos do Peru. Depois de conhecer o lugar, não duvido, hehe. Eles são importadores e distribuidores, isso explica a quantidade de coisas inusitadas que encontrei de vários países: China (claro), mas também Japão, França e Brasil.

Os balcões de madeira denunciam a idade, a loja tem mais de 60 anos. É um paraíso vintage. Uma mistura de Adeus, Lênin e Mercearia Paraopeba.

Lá ainda está vigente o esquema venda de balcão. O vendedor fica atrás e você pede o produto. Isso explica duas características marcantes do local: amostra de cada um dos produtos e tudo precificado.

Casa Diaz, Lima, Peru

Mas pra expor tudo, tudo mesmo, as paredes não são suficientes. Muita coisa pendurada, sobreposta, empilhada!

Casa Diaz, Lima, Peru

A fachada engana. O corredor é comprido e tem vários departamentos. No fim da loja, o mostruário sobe as paredes e fica mais alto, chegando até o segundo andar, onde fica o estoque e os clientes não têm acesso.

Casa Diaz, Lima, Peru

O que tem por lá? Mais fácil dizer o que eles não vendem :)

Tem itens de cozinha, brinquedos, plásticos, ferramentas, máquinas, eletrodomésticos, equipamentos industriais, produtos de armarinho. E os preços? De um extremo a outro.

No mesmo cantinho,, expostos lado a lado perto da seção de brinquedos, encontrei cartelas de purpurina por 4 soles (cerca de R$ 3,40) e uma máquina de sorvete por 4.900 soles (cerca de R$ 4.150).

Casa Diaz, Lima, Peru

Falando em preço, todos os produtos estão etiquetados, perfeito. E ainda explicam detalhes, por exemplo, se há diferença para quem compra no atacado ou varejo. Melhor do que lugares sem preço definido e que o dono olha para sua cara, faz uma pausa de 3 segundos, e depois define o preço.

Casa Diaz, Lima, Peru

O motivo deste post estar no Superziper é a seção de armarinho. Fiz uma parada estratégica de 1 hora por lá. Botões, zíperes, fitas, agulhas de costura, tricô e crochê, linhas, carretéis, fita métrica, dedais, alfinetes. Tinha praticamente tudo!

Casa Diaz, Lima, Peru

Foi nesta loja que achei parte dos produtos que vendemos no último bazar Ógente, entre eles a mini máquina de costura e o papel carbono japonês. O que dava para levar na mala veio…

A pipoqueira eu adoraria, masficaria um pouco difícil. E este isqueiro rosa só fotografei. Meu pai tinha um parecido, cinza, nos anos 70, quando fumava. Altas memórias…

Casa Diaz, Lima, Peru

Depois de encerrar as compras nos vários departamentos, é hora de fechar a conta e pagar no caixa único. Quem me atendeu, foi o filho de Don César, o proprietário, que tem mais de 80 anos e continua diariamente envolvido nos negócios, porém agora somente pelo telefone.

Ele me contou um pouco mais sobre a história do negócio, que foi aberto nos anos 50, e batemos um bom papo.

Casa Diaz, Lima, Peru

Pedi para tirar mais algumas fotos, inclusive da “bagunça” do caixa. Minha família já foi comerciante e estar neste ambiente me trouxe muitas lembranças.

Casa Diaz, Lima, Peru

É um lugar que com certeza não está nos guias turísticos do Peru, mas eu recomendo! Principalmente para quem gosta de fuçar e voltar ao passado.

Casa Diaz
Jirón Junin 752, Centro, Lima, Peru
Aberto de segunda à sábado, das 9:30 à 13:30 e das 15:30 a 20:00
Atenção! Eles fecham para horário de almoço
Site: http://casadiazhnos.com/
Email: casadiaz@terra.com.pe
Telefone: 4271155

01 out 14
costurareciclagem
Transformação: casaquinho de veludo
por Claudia

Casaquinho de veludo

Em um passeio por uma feirinha de usados organizada por uma escola nos Estados Unidos – que aqui eles chamam de flea market – comprei um vestido rosa de veludo por uma pechincha.

Bati o olho e vi que tinha potencial para virar outra coisa. Ele não tinha nascido para ser um vestido – apesar de ter certeza de que ele fazia parte do figurino de alguma peça de teatro. Porque como roupa não consegui encaixar ele em nenhuma fase da moda. E nem consigo imaginar alguém usando ele no dia a dia, muito menos em uma festa.

Mas curti a cor e adorei os botõezinhos. O tecido estava bom, inteiro e sem manchas. Apostei na transformação, achei que daria uma peça única.

Pois bem, vejam o antes e o depois.

Casaquinho de veludo

Não é uma transformação radical, mas o fato de ‘perder’ a saia e poder ser usado aberto dá bem mais possibilidades de uso.

Apesar de que nunca iria usá-lo como vestido, precisei de coragem para cortar o veludo com a tesoura. Uma coisa é desmanchar costuras existentes. Outra é passar a tesoura em uma parte intocada do tecido. Sempre me dá um nervoso, medo de me arrepender.

Mas fui em frente. E também precisei abrir uns pedaços já costurados para fazer um melhor acabamento.

Casaquinho de veludo

Com ele aberto ao meio, era hora de decidir o corte da horizontal.

Depois dobrei o tecido para simular a parte de cima sem a saia, para decidir até onde eu iria o babado. Testei a dobra com o vestido apoiado na mesa e também no próprio corpo.

Marquei a linha de corte com um lápis escolar e, de novo, tesoura em ação.

Casaquinho de veludo

Como estou viajando, usei o que eu tinha no meu kit de costura de viagem (esse amarelinho eu comprei na Daiso) e mais algumas comprinhas que fiz na própria feira – linha em um tom de rosa aproximado e um pacotinho de viés de renda.

Casaquinho de veludo

Passei o tecido com ferro para marcar a dobra e, com muita paciência, costurei à mão toda a barra. Usei o viés para evitar que o veludo desfie. Fiz tudo com ponto invisível, uma trabalheira.

Casaquinho de veludo

Mas valeu a pena! Gostei muito do resultado, a ponto de ter me permitido aparecer de corpo inteiro para as fotos, coisa que raramente faço…

Casaquinho de veludo

Fica aí a inspiração. Nem sempre vestidos precisam continuar sendo o que eram originalmente. Se o tecido é bom, porque não repensar?

Casaquinho de veludo

30 set 14
costuracraft tour
Uma biblioteca equipada com máquinas de costura!
por Claudia

Costura na biblioteca

Olhem isso que legal! Numa cidadezinha da Califórnia, perto de São Francisco, chamada Mountain View, a biblioteca “empresta” máquinas de costura! Em um programa conhecido como Sew Sew Saturdays, algumas máquinas ficam à disposição para uso. É preciso reservar um horário antes, super simples pela internet, e não é aula. Uma monitora, que é voluntária, fica por lá para acompanhar e ajudar com dúvidas gerais.

Descobri meio que por acaso. Tinha ido na biblioteca por outros motivos e vi este cartaz. Logo me inscrevi para o sábado seguinte. Pra quem está viajando, é uma ótima chance! Nunca pensei que costuraria fora de casa :)

Costura na biblioteca

Pois bem, aproveitei para levar meu pijama que tinha rasgado. E lá fui eu no sábado para a biblioteca. Eu consegui o horário das 10h15 às 11h. Já tinham algumas pessoas por lá. Em geral, quem frequenta é o pessoal da cidade que não tem máquina de costura. Uma moça estava fazendo barra de calça e outra ajustando uma jardineira de sarja. Tinha também uma senhora que mais conversava do que costurava…

Costura na biblioteca

Eles oferecem quatro máquinas de costura Baby Lock, bem moderninhas, e uma de overloque – que aqui eles chamam de serger.

Costura na biblioteca

A voluntária também traz alguns materiais, como agulhas, alfinetes, bobinas, tesouras e linhas. E que linhas, hein? Quando vi aquela caixa cheia de carretéis coloridos até me esqueci que tinha ido lá costurar. Tão fotogênicos, não conseguia parar de fotografá-los!

Costura na biblioteca

Bem, só mais um close dos meus carretéis favoritos e seguimos… Quem resiste a estes antiguinhos de madeira?

Costura na biblioteca

Costurei meu pijama em 5 minutos. Eu ainda tinha mais 40 para aproveitar. Com uma máquina à disposição, resolvi inventar mais alguma coisa.

Costura na biblioteca

Aproveitei uns retalhos que estavam por lá e improvisei um projeto novo. Fiz uma bolsinha de pano para proteger o celular na bolsa. Sobrou um tempinho e fiz mais uma. Aproveitei para testar os pontos diferentes da máquina. Ah… e o legal é que conversando com a Sarah, a voluntária, eu aprendi que desmanchador de costura em inglês é seam ripper.

Costura na biblioteca

Infelizmente a salinha de costura não funciona todo dia, apenas aos sábados. O espaço lá originalmente é para o pessoal de conservação e materiais históricos de Mountain View. Aproveitei também para dar uma olhada nos livros que estavam expostos por lá! Bastante coisa antiga e diferente,

Costura na biblioteca

Mountain View não é um destino turístico clássico, mas achei legal dividir a experiência por ser inusitada. Adoraria ver mais bibliotecas, principalmente brasileiras, oferecendo este tipo de apoio à população local. Então fica a dica. Quem sabe um dia no Brasil a gente tenha algo parecido :) O primeiro passo é divulgar!

Costura na biblioteca

Se alguém já viu algo parecido em outras cidades, conte sua história nos comentários, quero saber!

25 set 14
craft touroutros bla bla blas
Peru: tintas e pigmentos artesanais
por Claudia

Tintas peruanas

Mais um pouquinho da viagem do Peru. Teoricamente estas fotos deveriam estar no mesmo post que escrevi sobre a feira de Pisac, que vocês viram aqui no blog faz umas semanas. Lá conheci uma senhora que vendia pigmentos para pintar, como aquarela. Sua barraca era uma mesinha no chão, coberta com um tecido pink, e latas cheias de tintas em pó.

As cores eram tão explosivas, e tirei tantas fotos, que mesmo sem ter muita informação sobre como são feitas ou de onde vem, quis dar um destaque especial a este achado. Vendo as fotos vocês devem concordar…

Tintas peruanas

As tintas, expostas em latas antigas meio enferrujadas, eram tão vivas que dava vontade de colocar a mão – em um momento Amelié Poulain :-) Claro que não fiz isso, mas fiquei tentada.

Tintas peruanas

Para testar, apenas papéis. Uma pontinha rasgada de papel servia de pincel. Simples assim.

Tintas peruanas

Em geral, era a senhora que fazia as demonstrações. Mas quando passei por lá estava vazio e tranquilo. Ficamos conversando e perguntei se eu podia brincar!

Funcionava assim: pegue um tiquinho de tinta, bem pouco, bem menos do que eu peguei aí na foto, molhe na água e passe no papel.

Meu primeiro resultado ficou empelotado porque usei mais tinta do que deveria. Comparem com o segundo teste, este ficou mais suave e diluído.

Tintas peruanas

Muitas cores. Muita vontade de pintar.

Tintas peruanas

Algumas tintas se misturam e mudam de cor. Mais testes.

Tintas peruanas

 

No final, levei pra casa, claro. Ela vendia as tintas em cartela, tudo pronto, já montado com uma cor de cada, em saquinhos. Eram dois tamanhos: pequeno ou pequenininho :-)

Tintas peruanas

Para quem tiver a oportunidade de conhecer Pisac, não deixe de procurar a senhora das tintas!

Tintas peruanas

Para saber mais sobre Pisac, no Peru, e detalhes da feira de artesanato, como ir, onde ficar, etc, leia este texto que escrevemos aqui no Superziper.

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